Pesquisa prevê alta de 20% no e-commerce no Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Confi Neotrust projeta faturamento de R$254 bi no 2º semestre, com canetas emagrecedoras e Copa do Mundo entre os destaques
O varejo eletrônico brasileiro deve registrar faturamento de R$254 bilhões no segundo semestre de 2026, o que representa uma alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela empresa de pesquisa de mercado Confi Neotrust, que também apontou crescimento expressivo no primeiro semestre do ano. Segundo o levantamento da Confi Neotrust, entre janeiro e junho de 2026 o setor contabilizou R$208,4 bilhões em faturamento, uma alta de 16,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. As vendas envolveram 756,7 milhões de encomendas, crescimento de 34,8% no período. "Hoje 75% do resultado já é movido pelas grandes plataformas (de marketplace).
Observamos um cenário de disputa entre essas plataformas grandes, cada uma buscando seu protagonismo, e isso tem movimentado cada vez mais e atraído o volume de mercado para o online", disse o diretor de Negócios da Neotrust, Leo Bicalho, em entrevista à Reuters. Para 2026 como um todo, a Confi Neotrust projeta crescimento de 18,6% nas vendas do varejo online nacional, atingindo R$462,5 bilhões. A empresa aponta que a tendência positiva do primeiro semestre deve se manter na segunda metade do ano, impulsionada pela Black Friday, pelas vendas de Natal e pelo aumento das promoções em datas como 9/9, 10/10 e 11/11, mesmo diante de um ambiente macroeconômico de juros elevados. "O e-commerce vai continuar pujante. Essas batalhas (das plataformas) nessas datas vão fazer com que o consumidor fique atento", afirmou Pedro Chiamulera, fundador da Confi. No primeiro semestre, o valor médio das compras recuou 13,3% em relação ao ano anterior, para R$275,50, e o número de itens por compra caiu de 2,25 para 1,97, queda de 12,4%.
A redução no chamado ticket médio é atribuída ao maior uso das plataformas de e-commerce para produtos do dia a dia, de menor valor. "O consumidor passa a comprar com uma frequência maior, ele tem comprado mais, vide o maior volume de pedidos, mas os itens são de um valor menor", disse Bruno Pati, presidente do E-commerce Brasil, empresa parceira da Confi na elaboração e difusão do estudo.
Os dados da Confi Neotrust revelam que o segmento de Moda e Acessórios permaneceu como o mais representativo no primeiro semestre, com faturamento de R$19,3 bilhões, seguido de Eletrodomésticos (R$19,2 bilhões), Saúde (R$15,5 bilhões), Eletrônicos (R$14,4 bilhões) e Telefonia (R$14 bilhões).
A Copa do Mundo impulsionou as vendas do primeiro semestre, com destaque para a subcategoria de televisores, que registrou R$9,2 bilhões em faturamento, alta de 28,9% na base anual. O resultado foi puxado pela busca por modelos de tela entre 50 e 59 polegadas e por uma explosão de 165,1% nas vendas de aparelhos acima de 70 polegadas, enquanto as TVs de até 32 polegadas perderam relevância. O torneio também influenciou as vendas de vestuário esportivo, que cresceram 139,3% no semestre, atingindo R$1,9 bilhão em faturamento. A categoria de camisas esportivas, sozinha, faturou R$1 bilhão, com alta de 73,7%. A camisa da seleção brasileira saltou de 5,1% para 48,7% de participação nas vendas logo após o lançamento do uniforme oficial.
O segmento de Saúde foi o que mais cresceu no primeiro semestre, com alta de 45,8% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelas canetas emagrecedoras, que faturaram R$6,1 bilhões e registraram crescimento de 213% sobre o primeiro semestre do ano anterior. "É um produto de ticket altíssimo, recorrente, e isso impulsiona a categoria como um todo", destacou Bicalho. Com projeções otimistas para o restante do ano, a Confi Neotrust reforça que o e-commerce brasileiro segue em trajetória de expansão, sustentado pela competição entre grandes plataformas, pelo aumento da frequência de compras e por eventos sazonais que historicamente elevam o consumo online.