Conab prevê safra recorde de 360 mi/t em 2025/26

Safra de soja | Foto: CNA/Reprodução
A Conab elevou a previsão da safra de grãos 2025/26 para 360,11 milhões de toneladas, alta de 2,2% ante a temporada passada
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou sua previsão para a safra brasileira de grãos 2025/26, estimando uma produção recorde de 360,11 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 2,2% em relação à temporada anterior 2024/25, que registrou 352,27 milhões de toneladas, um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas. Em comparação com a previsão de junho, houve alta de 0,4%, equivalente a 1,48 milhão de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 14, no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26. O resultado positivo é impulsionado principalmente pela expansão da área destinada ao cultivo de grãos no País, projetada em 83,54 milhões de hectares, crescimento de 2,2% ante os 81,73 milhões de hectares da safra 2024/25. A produtividade média nacional das lavouras deve se manter praticamente estável, prevista em 4.311 quilos por hectare.
A colheita total das três safras de milho no ciclo atual está estimada em 141,73 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado, que registrou 141,16 milhões de toneladas. A primeira safra do cereal, praticamente toda colhida, apresenta produção estimada em 29,6 milhões de toneladas, alta expressiva de 18,7% ante os 24,94 milhões de toneladas de 2024/25. Já a segunda safra do grão apresenta desempenho mais modesto. A colheita atinge 38,9% da área destinada à cultura, índice inferior à média dos últimos cinco anos. "Principal produtor do grão, Mato Grosso registrou condições climáticas favoráveis durante o ciclo, proporcionando um bom desenvolvimento da segunda safra de milho. Já em Goiás, Minas Gerais e Piauí os veranicos ocorridos em abril e maio influenciaram no desempenho da cultura", relatou a Conab.
Nesse cenário, a estatal espera colher 109,43 milhões de toneladas na segunda safra, queda de 3,4% em relação às 113,23 milhões de toneladas de 2024/25. Para a terceira safra, a expectativa é de 2,7 milhões de toneladas, recuo de 10% ante as 2,99 milhões de toneladas da temporada anterior. "No momento, as baixas precipitações que vêm ocorrendo, especialmente em Sergipe e Alagoas, trazem reflexos à evolução das lavouras", acrescentou a estatal. No segmento do algodão, a produção prevista é de 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida, 78,4% em maturação e 13,5% em formação de maçãs.
O volume estimado é 0,5% menor em relação à safra 2024/25, que registrou 4,08 milhões de toneladas. "As boas condições climáticas favorecem o bom desenvolvimento das lavouras, refletindo em um ganho na produtividade de 2,8% em relação à safra 2024/25. Essa melhora no desempenho médio das lavouras compensou a diminuição em 3,2% na área plantada, que neste ciclo foi próximo a 2 milhões de hectares", disse a Conab. A soja, com colheita finalizada, alcança produção de 180,57 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada, que somou 171,48 milhões de toneladas.
O resultado é fruto do aumento de 2,7% na área cultivada, aliado ao bom pacote tecnológico utilizado pelos produtores e às condições climáticas favoráveis. O arroz também encerrou sua colheita, mas apresenta queda: a produção foi de 11,09 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume da safra anterior, que registrou 12,76 milhões de toneladas, reflexo de uma menor área destinada ao produto. No caso do feijão, a produção total estimada é de 3,02 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior, de 3,06 milhões de toneladas. "Mesmo com a redução prevista para estes dois importantes produtos para o consumo dos brasileiros, o volume a ser colhido garante o abastecimento no mercado doméstico", destacou a Conab.
O trigo, principal destaque entre as culturas de inverno, encontra-se em fase final de plantio. A Conab projeta redução de 23,5% no volume a ser colhido, estimado em 6,03 milhões de toneladas, ante os 7,87 milhões de toneladas registrados em 2025. "O resultado reflete tanto a menor área destinada ao cereal como a expectativa de uma menor produtividade média a ser registrada nas lavouras neste ciclo", concluiu a Conab. No balanço geral, a Conab mantém perspectiva de recorde para a safra 2025/26, sustentada pela expansão da área cultivada e pelo bom desempenho da soja e da primeira safra de milho, mesmo diante das quedas registradas em culturas como arroz, feijão e trigo.