Câmara de BH promulga lei que dá nome de participante do 8 de janeiro à rua

Foto: Câmara de BH/Divulgação
Câmara de BH promulga lei que nomeia rua em homenagem a participante dos ataques do 8 de janeiro após silêncio do prefeito Damião
A Câmara Municipal de Belo Horizonte promulgou uma lei que atribui o nome de "Cleriston Pereira da Cunha", conhecido como "Clezão", a uma rua no bairro Betânia, na região oeste da capital mineira. Cleriston foi um dos participantes dos ataques do 8 de janeiro de 2023 em Brasília. A lei havia sido aprovada em março pela Casa e encaminhada para sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União), que optou por não se manifestar sobre o texto. Diante do silêncio do chefe do Poder Executivo municipal, a decisão sobre a entrada em vigor da lei foi transferida ao presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), que realizou a promulgação no dia 24 de julho. A rua que passará a ter o nome do participante dos ataques era anteriormente chamada de "A 4".
Os ataques do 8 de janeiro ocorreram logo após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. Naquela data, manifestantes invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cleriston Pereira, assim como outros participantes dos ataques, foi condenado por tentativa de abolição do estado democrático de direito, associação criminosa armada e deterioração de patrimônio tombado. Natural da Bahia e morador de Brasília, Cleriston morreu na prisão em 2023. O autor do projeto de lei é o vereador Irlan Melo (PL), apoiador do ex-presidente Bolsonaro.
A proposta gerou tensão política na Câmara, onde vereadores do PT, PSOL e PC do B, defensores do presidente Lula, se posicionam de forma antagônica aos parlamentares bolsonaristas. Esta não é a primeira vez que o prefeito Damião evita sancionar ou vetar projetos considerados "ideológicos", por envolverem disputas entre grupos políticos de esquerda e direita com forte presença na Casa. Em junho, após comportamento semelhante do prefeito, a Câmara também promulgou outro projeto de lei. Aquela proposição, de autoria da vereadora Flávia Borja (Podemos), determina que entidades esportivas podem adotar o sexo biológico como critério para definição de participantes em competições. A reportagem entrou em contato com a prefeitura para obter um posicionamento sobre a decisão de Damião de não sancionar ou vetar a lei, mas não obteve retorno. Assim que houver uma manifestação oficial, a informação será acrescentada à reportagem.