PP deve confirmar neutralidade nas eleições presidenciais

Com 90% do PP favorável à neutralidade, Ciro Nogueira usará resistência das bases como argumento contra apoio a Flávio Bolsonaro
O presidente nacional do PP (Progressistas), Ciro Nogueira, comunicou aos correligionários do partido, na terça-feira (21), que 90% da legenda é favorável à neutralidade na eleição nacional. Essa posição deverá ser o principal argumento que Ciro Nogueira apresentará ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma conversa marcada para esta quarta-feira (22). A resistência das bases do PP foi identificada por Ciro Nogueira ao longo das últimas semanas. Aliados do dirigente apontam que o principal motivo para o partido não fechar apoio ao senador Flávio Bolsonaro foi a ausência de suporte do parlamentar quando Ciro Nogueira se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal.
No entanto, esse não é o único fator em jogo. A Polícia Federal (PF) aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, concedia ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) um "tratamento privilegiado", que incluía o custeio de viagens e até o pagamento de mesadas ao parlamentar. Segundo a investigação, conversas entre Vorcaro e o cunhado, o empresário Fabiano Zettel, indicam o pagamento de R$ 350 mil em espécie a Ciro Nogueira. Outro fator relevante é o projeto do PP de formar, em conjunto com a federação União Brasil-PP, uma superbancada com cerca de 120 deputados.
Uma eventual aliança na eleição presidencial obrigaria a legenda a dividir os recursos do fundo eleitoral destinados às campanhas proporcionais. Esse mesmo projeto foi o motivo pelo qual o PP descartou a ideia de lançar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à Presidência da República. Assim, a posição de neutralidade defendida pela maioria do partido tende a ser determinante na conversa entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, consolidando a postura do PP de preservar sua autonomia e seus recursos eleitorais para as disputas proporcionais.