China surge como opção para absorver produtos brasileiros após tarifaço

Fonte: Revista RPA News
Com tarifas americanas ameaçando 18% das exportações, especialistas avaliam o potencial da China como destino alternativo para produtos brasileiros.
Com cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ameaçadas pelo novo tarifaço americano, o Brasil busca alternativas para escoar os produtos que antes seguiam para os portos norte-americanos. A China, principal parceiro comercial do Brasil, surge como a opção mais imediata, mas especialistas alertam que o mercado chinês não estará disposto a absorver tudo que é produzido em território brasileiro. Segundo Felipe Teixeira, especialista em comércio exterior e fundador da Ningbo BR Goods, empresa com sede na China, a transição não é simples. "Todo o trabalho de exportação é um projeto de médio e longo prazo. É preciso encontrar um parceiro no mercado chinês ou, se vier por conta própria, montar toda uma estrutura. A China é um mercado gigante, mas também muito competitivo, porque o mundo inteiro quer exportar para lá", explica o especialista.
No que diz respeito às commodities, as perspectivas são mais favoráveis. Teixeira aponta que produtos do setor alimentício têm maior chance de aceitação entre os importadores chineses. "Acredito que os setores ligados ao alimentício, como café, grãos, sucos e frutas, podem conseguir uma substituição de maneira mais fácil porque são produtos em que o Brasil já é reconhecido pela qualidade", afirma. O cenário muda completamente quando se trata de produtos industrializados. Calçados e outros manufaturados enfrentariam barreiras muito maiores para penetrar no competitivo mercado chinês. "Nos produtos manufaturados e de maior valor agregado, essa substituição dificilmente vai acontecer. É justamente aí que vejo o maior desafio para as empresas brasileiras", argumenta Teixeira.
O contexto da relação bilateral reforça tanto o potencial quanto os limites dessa aproximação. Em 2025, o fluxo comercial entre Brasil e China atingiu o recorde histórico de US$ 171 bilhões, um crescimento de 8,2% em relação a 2024. Apesar dos números expressivos, a capacidade da China de substituir integralmente o mercado americano para todos os segmentos da economia brasileira permanece limitada, especialmente para os produtos de maior valor agregado.