Chuvas extremas deixam 10 mortos e mais de 100 mil isolados no Chile

Fortes chuvas causaram inundações e levarem as autoridades chilenas a declararem estado de emergência em La Serena, no Chile - Foto: Jorge Vega
Chuvas extremas no Chile deixam 10 mortos, mais de 100 mil isolados e 2.400 desabrigados; governo decreta estado de catástrofe
As fortes chuvas que assolam o Chile já causaram a morte de pelo menos 10 pessoas e deixaram mais de 100 mil moradores isolados devido ao bloqueio de rodovias. O balanço foi divulgado pelo governo chileno na segunda-feira (20/7), que decretou estado de catástrofe e mobilizou o Exército para reforçar as operações de resgate.
O fenômeno climático, que teve início no sul do país no dia 15, atinge agora com particular intensidade as regiões desérticas de Coquimbo e Atacama, no norte, onde chuvas extremas são raras. O transbordamento de rios bloqueou estradas e isolou diversas comunidades.
A diretora do Serviço Nacional de Emergências (Senapred), Alicia Cebrián, informou à imprensa que foram registradas "10 pessoas falecidas, quatro pessoas desaparecidas e 17 feridos". Um boletim divulgado pela manhã havia apontado cinco mortes.
Além das vítimas, a emergência já contabiliza cerca de 2.200 moradias destruídas ou com danos estruturais, aproximadamente 2.400 desabrigados e mais de 100 mil pessoas isoladas.
O governador de Coquimbo, Cristóbal Juliá, descreveu bairros "cheios de lama, inundados, pessoas que perderam suas casas, seus pertences, que estão muito aflitas". Ele ressaltou que o último ano de chuvas intensas havia sido 1997 e que "desta vez, foi muito superior".
O presidente chileno, José Antonio Kast, decretou estado de catástrofe na região, medida que permite o envio de militares, a restrição da liberdade de circulação e o encaminhamento mais ágil de ajuda humanitária.
Fenômeno "anormal e extremo"
Em Coquimbo, as inundações, a lama e os cortes de energia comprometeram o abastecimento de água potável.
O vice-ministro do Interior, Máximo Pavez, declarou que "o que normalmente chove em um mês, caiu ontem em uma hora, o que nos leva a classificar este evento como de precipitações anormais e extremas".
Arnaldo Zúñiga, da Direção Meteorológica do Chile, destacou que há duas décadas o país não enfrentava uma tempestade de tamanha extensão e volume de chuvas.
Cerca de 150 mil pessoas continuavam sem energia elétrica, segundo o Ministério da Energia.
Andrés Nazer, gerente regional da empresa Aguas del Valle, afirmou que "a situação superou todas as expectativas. Nossa infraestrutura foi danificada e tivemos que retirar nossa equipe de algumas instalações".
Devido às fortes ondas e rajadas de vento superiores a 100 km/h, dezenas de portos em todo o Chile restringiram parte de suas operações como medida de precaução na semana passada.