Brasil pode ter tarifa ampliada pelos EUA para 37,5% até o final de julho

Trump anuncia novas tarifas comerciais e prevê taxa de 10% a produtos brasileiros
Investigação americana sobre "trabalho forçado" pode elevar alíquota contra o Brasil de 25% para 37,5% até o fim de julho
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros pode ser ampliada até o fim de julho, quando encerra o prazo de uma investigação do governo Trump sobre "trabalho forçado" em 60 países. Caso a medida se confirme, o Brasil será tarifado em mais 12,5%, elevando a alíquota média contra o país para 37,5%. O governo federal avalia essa ampliação como "muito provável", conforme declarou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias Rosa, em coletiva de imprensa na quinta-feira (16).
Segundo o ministro, a nova tarifa foi proposta para que o governo norte-americano substituísse a alíquota de 10% derrubada pela Suprema Corte ainda em fevereiro. Elias Rosa lembrou que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) tem prazo até a próxima sexta-feira (24). Para o ministro, a principal dúvida que permanece é se a sobretaxa será cumulativa ou não. "A expectativa é que virá para todos, porque essa tarifa da Seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem. O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10 ou 12,5%", afirmou o ministro.
De acordo com o governo Trump, o Brasil e outras 59 nações teriam se omitido ao deixar de adotar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Entre os países que podem ser taxados estão aliados históricos dos Estados Unidos, como Argentina, Emirados Árabes Unidos, Israel, Japão e Reino Unido. O governo brasileiro, por sua vez, já declarou que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR.
O Itamaraty argumenta que os EUA não apresentaram provas concretas e que não há evidências de que bens produzidos com trabalho forçado no Brasil tenham ingressado no mercado norte-americano. O cenário aponta para uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países, com o Brasil podendo enfrentar uma das maiores alíquotas entre as nações investigadas, caso a sobretaxa seja confirmada ao fim do prazo estabelecido pelo governo norte-americano.