Bolsonaro não cometeu crime em caso de arma apreendida, diz Polícia Civil

Bolsonaro agência Senado
Polícia Civil do DF avalia que Bolsonaro tinha registro válido da Glock 9mm apreendida com militar de sua segurança em blitz
A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que Jair Bolsonaro não cometeu crime no caso da Glock 9mm apreendida com um militar de sua segurança. A avaliação foi formalizada nesta terça-feira (30), no mesmo documento em que o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo. Estácio foi abordado em uma blitz na noite de 15 de junho com a arma registrada em nome de Bolsonaro dentro de seu veículo. De acordo com a corporação, o militar não tinha autorização do proprietário para circular com a arma e estava em desacordo com as exigências legais.
Sobre a conduta do ex-presidente, a Polícia Civil foi direta em sua manifestação: "Bolsonaro possuía o registro válido da arma de fogo, não havendo restrições conhecidas para que tivesse a arma regularmente registrada em sua residência. É fato notório que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e arma de fogo não foi recolhida ou mesmo foi lançada restrição em seu registro. Portanto, não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito".
Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo, com o agravante de ser militar do Exército. A reportagem tenta contato com a defesa do sargento. Quando a Polícia Civil indicia alguém, significa que a investigação foi concluída e que foi formalizada a suspeita de que essa pessoa é autora ou participante de um crime. O inquérito policial é então encaminhado ao Ministério Público, que avalia se levará o caso à Justiça.
A Polícia Civil ouviu o ex-presidente Bolsonaro sobre o caso na tarde de 23 de junho. No depoimento, ele admitiu que a arma apreendida é sua e que estava em sua residência durante o cumprimento de sua prisão. Ao delegado, Bolsonaro disse que "tinha três mulheres em casa" e que "não podia ficar desarmado". Bolsonaro cumpre atualmente pena em regime de prisão domiciliar humanitária, medida autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de seu estado de saúde. O ministro Alexandre de Moraes ainda avalia o impacto do caso da arma apreendida e deve decidir nesta semana se mantém a prisão domiciliar do ex-presidente.