Governo responsabiliza família Bolsonaro por tarifas dos EUA

JairBolsonaro-Entrevista
Governo brasileiro rejeita tarifas de 25% dos EUA, critica "tecno-oligarcas" e responsabiliza a família Bolsonaro pela medida
O governo brasileiro divulgou uma carta oficial na noite de quarta-feira (15), mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, declarando não reconhecer a legitimidade dessas medidas. No documento, o governo classifica a situação como um "marco lastimável" para as relações entre os dois países e descreve as tarifas como resultado da "ganância de um punhado de tecno-oligarcas".
A carta rejeita as medidas unilaterais adotadas pelos EUA e responsabiliza diretamente a família Bolsonaro pela ação americana. Para o Palácio do Planalto, enquanto as autoridades brasileiras apresentavam evidências contra as alegações de práticas desleais de comércio, membros da família trabalhavam ativamente para prejudicar o Brasil com objetivos eleitoreiros. "É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", afirma o documento. A carta ainda acrescenta: "Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências". O governo também rebateu argumentos relacionados à liberdade de expressão, declarando que "a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade".
Diante do cenário, o governo reforçou que adotará medidas para contornar qualquer dependência dos EUA. O plano inclui a diversificação de parcerias comerciais com a abertura de novos mercados, seguindo o caminho já traçado pelos acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura. Também está prevista a ativação do Plano Brasil Soberano para proteger os setores afetados pelas tarifas, além do acionamento dos instrumentos da Lei de Reciprocidade e a retomada do tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Palácio do Planalto destacou que as evidências apresentadas contra as alegações de práticas desleais de comércio do Brasil foram desconsideradas, assim como as intervenções contrárias ao tarifaço feitas nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). As defesas partiram tanto do setor privado brasileiro quanto do norte-americano. O documento lembra ainda que os EUA acumularam superávit de bens e serviços com o Brasil por 15 anos consecutivos, totalizando US$ 424,5 bilhões, de acordo com dados oficiais americanos.
Além disso, 76% das importações norte-americanas provenientes do Brasil entraram no país sem pagamento de imposto, com alíquota média de apenas 3,1% sobre esses produtos. Com a carta, o governo brasileiro deixa clara sua posição de não aceitar passivamente as tarifas impostas pelos EUA, ao mesmo tempo em que aponta a família Bolsonaro como parte do problema e anuncia um conjunto de medidas para proteger a economia nacional.