Bank of America diz que investidor estrangeiro não teme reeleição de Lula

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David Beker, do BofA, afirma que investidores estrangeiros não temem reeleição de Lula e prevê ajuste fiscal independente do resultado eleitoral
O chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do Bank of America (BofA), David Beker, afirmou nesta sexta-feira, 3, que os investidores estrangeiros não demonstram grande preocupação com uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Beker, o mercado já começou a operar a corrida ao Palácio do Planalto com relativa tranquilidade por parte do capital externo. "As pessoas me perguntam se o estrangeiro tem medo do Lula. Não, não tem. O estrangeiro conhece o Lula", disse Beker durante café da manhã com jornalistas.
Ao comentar as reações dos investidores após a divulgação de pesquisas de intenção de voto, o economista destacou que o mercado já precifica o processo eleitoral. Há, no entanto, uma percepção de que algum ajuste nas contas públicas ocorrerá independentemente do resultado das urnas, o que impede um estresse mais acentuado nos mercados. Beker explicou que o cenário projetado pelo BofA prevê algum ajuste fiscal mesmo em caso de vitória de Lula. A dúvida, segundo ele, reside na magnitude desse ajuste.
Entre as possibilidades no radar estão a eliminação do piso de gastos em saúde e educação, a continuidade na revisão dos benefícios fiscais e alguma discussão em torno de programas sociais. "Sempre tivemos um problema fiscal, que aumenta conforme o tempo passa. Então, a necessidade de fazer ajuste fiscal é inerente ao cenário do Brasil", afirmou Beker. "O investidor estrangeiro não está preocupado com uma vitória do Lula", reiterou. O economista acrescentou que a preocupação dos estrangeiros com as contas públicas brasileiras foi relativizada pelas dificuldades fiscais enfrentadas por outras economias ao redor do mundo. "Isso tirou um pouco da pressão, porque o estrangeiro fala assim: todo mundo tem problema fiscal", disse.
Diante da tendência de aperto nas contas públicas, o BofA revisou para baixo sua previsão de crescimento do PIB para o ano seguinte, de 2% para 1,3%. Para 2028, a expectativa é de continuidade na desaceleração, com a economia crescendo apenas 1%.