Frota de motos cresce em BH e cidade registra 59 acidentes por dia

Motociclista - Foto: Freepik
Crescimento da frota de motocicletas em Belo Horizonte eleva riscos no trânsito e preocupa especialistas em segurança viária
O avanço da frota de motocicletas em Belo Horizonte, impulsionado pelo transporte de passageiros e entregas por aplicativos, tem elevado os índices de insegurança no trânsito da capital mineira.
Dados do Ministério dos Transportes apontam que, entre outubro de 2021 — quando a atividade foi regulamentada na cidade — e junho deste ano, o número de motos nas ruas saltou 28%, passando de 249.348 para 319.165 unidades.
A agilidade do veículo e o baixo custo do serviço, no entanto, escondem uma realidade preocupante. Conforme o Observatório de Segurança Pública, somente no primeiro semestre deste ano, Belo Horizonte registrou 10.649 ocorrências envolvendo motocicletas – uma a cada 24 minutos –, resultando em 38 mortes. Em média, são 59 acidentes por dia, sendo 27 deles com vítimas.
Na última quinta-feira (16/7), uma mulher de 58 anos, que estava na garupa de uma moto de aplicativo, morreu após o condutor tentar ultrapassar um ônibus no bairro Planalto, na Região Norte da cidade. O caso ilustra o drama diário enfrentado por usuários e motociclistas.
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmou que a legislação municipal estabelece regras rígidas para o funcionamento da atividade, com foco na segurança dos usuários e na organização do serviço. Entre as exigências estão idade mínima de 21 anos, habilitação há pelo menos dois anos, certidão negativa de antecedentes criminais, inscrição no INSS, uso de capacete e colete refletivo, além da realização de curso de pilotagem segura. A PBH, no entanto, não informou quantos condutores foram autuados por descumprimento das normas nem se há estudo para ampliar a fiscalização.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que, apesar das regras, a falta de infraestrutura viária adequada e a pressão por produtividade nos aplicativos são fatores que contribuem para o alto índice de acidentes. O Sindicato dos Motociclistas de Minas Gerais (Sindimoto-MG) defende que as empresas de aplicativo compartilhem a responsabilidade, oferecendo treinamentos periódicos e desestimulando jornadas excessivas que levam à fadiga do condutor.