BC registra queda no dinheiro esquecido após transferência para o Desenrola 2.0

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Saldo disponível para resgate caiu de R$ 10,3 bilhões para R$ 6,24 bilhões após transferências ao FGO pelo Desenrola 2.0
O Banco Central divulgou nesta terça-feira (14/7) que estão disponíveis para resgate R$ 6,24 bilhões por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma que permite consultar valores esquecidos em instituições financeiras. Os dados são referentes a maio de 2026 e indicam uma queda significativa em relação ao levantamento anterior. A redução é expressiva quando comparada aos dados divulgados em junho, referentes a abril, que somavam R$ 10,3 bilhões. A queda se deve ao encaminhamento de parte dos recursos ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo utilizado para sustentar a redução dos juros nas renegociações de dívidas no âmbito do programa Novo Desenrola Brasil, também conhecido como Desenrola 2.0.
De acordo com o Banco Central, R$ 4,43 bilhões estão disponíveis para 24,1 milhões de clientes pessoas físicas, enquanto R$ 1,8 bilhão pode ser retirado por 2,27 milhões de empresas. Até maio, a autoridade monetária informou que já foram devolvidos R$ 15,47 bilhões em recursos que estavam esquecidos em bancos — sendo R$ 11,40 bilhões destinados a pessoas físicas e R$ 4,07 bilhões a pessoas jurídicas. No que diz respeito à distribuição dos valores, a maior parte corresponde a quantias de até R$ 10, representando 67,56% do total. Já os valores acima de R$ 1 mil correspondem à menor fatia, com apenas 2,46%. Os bancos são os maiores detentores dos valores esquecidos, seguidos por consórcios, cooperativas e instituições de pagamentos.
Desde 27 de maio de 2025, o Banco Central passou a oferecer a possibilidade de habilitar uma solicitação automática de resgate dos valores a receber. A adesão ao novo serviço é facultativa, e todas as demais funcionalidades do sistema permanecem iguais. O programa Novo Desenrola Brasil, lançado em 4 de maio com o objetivo de reduzir o endividamento recorde da população, utiliza parte dos recursos financeiros não resgatados — o popular "dinheiro esquecido" nos bancos — para garantir o refinanciamento de dívidas. Anteriormente, o Ministério da Fazenda havia informado que não havia prazo para os clientes retirarem os recursos das instituições financeiras, mas o lançamento do Desenrola 2.0 mudou essa situação.
O uso do "dinheiro esquecido" para garantir descontos nas dívidas ocorre por meio da transferência de parte desse valor ao Fundo Garantidor de Operações. O governo federal estabeleceu, por portaria, que o saldo informado pelas instituições financeiras ao Banco Central até 31 de dezembro de 2024 seria transferido ao FGO. A portaria ressalvou, no entanto, que 10% do montante serão reservados para atender a eventuais demandas de devolução de valores. O Ministério da Fazenda informou, no dia 27 de maio, que as instituições financeiras já haviam transferido R$ 5,7 bilhões em recursos não resgatados por clientes ao Fundo Garantidor de Operações, evidenciando o avanço do programa na captação desses recursos para subsidiar as renegociações de dívidas.