Andy Burnham assume cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

Andy Burnham torna-se primeiro-ministro britânico herdando crise econômica, avanço da extrema direita e um Partido Trabalhista enfraquecido
Andy Burnham torna-se oficialmente, nesta segunda-feira (20), o novo primeiro-ministro do Reino Unido, após a renúncia de Keir Starmer. Representante de um Partido Trabalhista que decepcionou parte do eleitorado, ele herda uma situação econômica complicada e um país que enfrenta o avanço da xenofobia e da extrema direita. Andy Burnham sucede Keir Starmer, que permaneceu pouco mais de dois anos no cargo — o período mais curto para um primeiro-ministro trabalhista desde 1924. Após enfrentar forte oposição política nos últimos meses, inclusive dentro do próprio partido, Burnham terá de reorganizar o governo rapidamente. Prefeito da Grande Manchester por nove anos, o chamado "rei do Norte" precisará formar uma equipe capaz de responder às demandas mais urgentes dos britânicos. Burnham tem insistido na "necessidade de descentralização, no controle público da economia, na proteção social e na reindustrialização, ou seja, em grandes temas que ainda precisam ser detalhados de forma concreta", explica Aurélien Antoine, professor universitário e especialista em instituições britânicas.
Essas questões ganham relevância diante de uma situação econômica que se arrasta há mais de seis anos. A pandemia de Covid-19, ocorrida em meio ao Brexit, já havia abalado a economia britânica. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, provocou uma disparada da inflação, que atingiu 11% em outubro daquele ano — o maior patamar em quatro décadas. Embora tenha recuado desde então, a inflação ainda estava em torno de 2,8% em maio de 2026. Apesar da desaceleração, o alívio não é percebido no cotidiano. "Mesmo que a inflação já não esteja tão elevada, o efeito acumulado do aumento dos preços significa que as famílias enfrentam um custo de vida muito superior ao de 2021", destaca um relatório da pesquisadora Brigid Francis-Devine, da Câmara dos Comuns.
Os preços da energia, impulsionados pela guerra no Oriente Médio, e os gastos com alimentação estão entre os principais fatores da alta do custo de vida. Segundo a Food Foundation, o valor médio de uma cesta de compras aumentou cerca de 12 libras esterlinas (cerca de R$ 82,60) desde 2022. Em 2024, o governo trabalhista prometeu construir 1,5 milhão de moradias em cinco anos, mas a meta está longe de ser alcançada. Essas demandas pressionam ainda mais as contas públicas em um momento em que o governo pretende elevar os gastos com defesa para 3% do PIB, o que implicaria um custo adicional de cerca de 9 bilhões de libras por ano. Para resolver essa equação complexa, Andy Burnham defende maior participação do Estado na economia.
No entanto, terá de enfrentar o debate sobre os gastos públicos, tema em que seus antecessores obtiveram poucos resultados concretos. Starmer, por exemplo, tentou restringir o acesso ao Personal Independence Payment (PIP), benefício destinado a pessoas com deficiência cujas despesas são afetadas pela condição. Diante da forte reação dentro do próprio Partido Trabalhista, foi obrigado a recuar.