Flávio acusa Alexandre de Moraes de interferir em eleições

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Flávio Bolsonaro acusa Alexandre de Moraes de tentar barrar candidatura após ministro proibir visitas ao pai
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, acusou nesta segunda-feira (13) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir nas eleições de 2026. A acusação surge após Moraes proibir as visitas do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, em razão da divulgação de uma carta de apoio à pré-candidatura do filho. Para Flávio, a decisão tem como objetivo impedir que o pai manifeste respaldo à sua campanha. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio Bolsonaro detalhou que a carta divulgada no último fim de semana foi a quinta mensagem pública escrita pelo pai desde o início do cumprimento das medidas cautelares.
O senador ressaltou que as quatro cartas anteriores foram publicadas sem qualquer questionamento por parte do ministro Alexandre de Moraes. Segundo Flávio, a primeira mensagem foi publicada em 25 de dezembro de 2025, quando Jair Bolsonaro confirmou, por escrito, a indicação do filho como pré-candidato à Presidência. O senador afirmou que a carta foi lida após uma visita ao pai no hospital e transmitida ao vivo por emissoras de televisão, rádio e pelas redes sociais. Outras três cartas também foram mencionadas: uma divulgada por Michelle Bolsonaro em 6 de fevereiro de 2026, por ocasião do aniversário de casamento do casal; outra publicada em 1º de março, em defesa da ex-primeira-dama após críticas nas redes sociais; e uma quarta mensagem, de 2 de março, sobre as eleições em Mato Grosso do Sul.
A quinta carta, publicada no último fim de semana, reafirma o apoio de Jair Bolsonaro à pré-candidatura do filho e pede que aliados superem divergências antes das convenções partidárias. "Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta. E por que desta vez ele resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?", indagou Flávio Bolsonaro durante a transmissão. O senador negou que o pai tenha determinado ou orientado a divulgação da carta nas redes sociais e questionou a diferença entre a publicação feita em seus perfis e a repercussão do texto em veículos de comunicação. Na mesma transmissão, Flávio foi direto ao afirmar suas suspeitas sobre as intenções do ministro: "O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça."
Nesta segunda-feira (13), Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai após a divulgação da carta em que o ex-presidente reafirma apoio à pré-candidatura do senador. Para o ministro, há indícios de descumprimento da medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. Flávio afirmou que a decisão retira uma das poucas formas de comunicação do ex-presidente com seus apoiadores e disse acreditar que Moraes procura "uma desculpa" para adotar uma medida mais severa contra Bolsonaro.
Na transmissão, o senador também comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso entre 2018 e 2019. Segundo Flávio, Lula pôde conceder entrevistas e receber visitas durante o cumprimento da pena, enquanto Bolsonaro estaria impedido de manter contato com apoiadores. O parlamentar citou a entrevista concedida por Lula aos jornais "El País" e "Folha de S.Paulo" em maio de 2019 e afirmou que pedidos para Jair Bolsonaro conceder entrevistas seguem pendentes de análise no STF. Flávio Bolsonaro disse ainda que integra a defesa do ex-presidente e informou ter acionado o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade se manifeste em defesa de suas prerrogativas profissionais. "Quer me deixar incomunicável com o próprio pai já é um absurdo. E não vai poder impedir que um advogado converse com o seu cliente, ainda que seja o advogado filho e o cliente seja o seu próprio pai", declarou.
O senador também criticou o presidente Lula (PT) pela condução das negociações com os Estados Unidos sobre a possível imposição de novas tarifas a produtos brasileiros, afirmando que o governo brasileiro estaria contribuindo para o agravamento da crise comercial. Flávio destacou a viagem que fez aos Estados Unidos na semana passada para participar de uma audiência pública sobre o tema, criticando a ausência de representantes do governo nas negociações. O senador lembrou que o evento contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e citou trecho do discurso que fez em inglês, no qual afirmou que uma eventual tarifa aplicada antes das eleições presidenciais poderia beneficiar o atual governo. Ao encerrar a transmissão, Flávio Bolsonaro disse esperar receber a faixa presidencial das mãos do pai caso seja eleito em outubro. Ele também lamentou que, com a decisão de Alexandre de Moraes, não poderá transmitir pessoalmente ao ex-presidente as mensagens de apoio recebidas de eleitores.