Alckmin descarta ruptura com EUA após tarifas e fala em expandir mercados

Geraldo Alckmin
Vice-presidente afirma que Brasil manterá negociações com os EUA e anuncia R$ 18,5 bi em crédito para setores afetados pelas tarifas de Trump
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo federal manterá as negociações com os Estados Unidos diante da ampliação das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é permanecer aberto ao diálogo, enquanto o governo reforça medidas de apoio aos setores brasileiros afetados.
Alckmin voltou a classificar as tarifas como "injustas" e "descabidas". Ao comentar a justificativa norte-americana relacionada ao combate ao trabalho forçado, o vice-presidente destacou que o Brasil possui uma das legislações trabalhistas mais avançadas do mundo e lembrou que a medida também atingiu outros países. "O que o presidente Lula tem destacado? Primeiro, não sair da mesa de negociação. O que depender de nós é continuar na mesa de negociação. Explicitar que é injusto e descabido", afirmou. O vice-presidente informou ainda que o governo já autorizou R$ 18,5 bilhões em crédito para apoiar empresas impactadas pelas tarifas, com recursos voltados a capital de giro, investimentos e aquisição de bens de capital.
Outra estratégia mencionada por Alckmin é ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais. Alckmin destacou que o Brasil registrou recorde de exportações em 2025, com US$ 349 bilhões, e voltou a bater recorde no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 184 bilhões em vendas ao exterior. Para o vice-presidente, os números demonstram a importância da diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Durante a entrevista, Alckmin também afirmou que o governo continuará apoiando a indústria nacional de defesa, citando investimentos de cerca de R$ 30 bilhões para reequipar as Forças Armadas. Além disso, anunciou o início da operação do programa Move Agro, que oferece financiamento com juros de 9% ao ano para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. O vice-presidente reforçou que a postura do governo brasileiro diante das tarifas norte-americanas não será de ruptura, mas de diálogo contínuo e busca por alternativas que protejam a economia nacional.