Zema aparece com apenas 2% em pesquisa Quaest

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Ex-governador de Minas marca 2% nas intenções de voto e não consegue romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (10) mostrou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com apenas 2% das intenções de voto em um cenário estimulado de primeiro turno. O resultado indica que o pré-candidato não consegue variar além da margem de erro em nenhum dos levantamentos realizados pelo instituto ao longo deste ano. Mesmo com a repercussão nacional de suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), Zema enfrenta dificuldades em converter visibilidade midiática em votos e em romper a polarização já consolidada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Palácio do Planalto.
Os 2% registrados em junho não diferem muito dos meses anteriores. Em maio, o índice era de 4%; em abril, de 3%; em março, também de 3%; e em fevereiro, de 4%. Todas as variações se mantêm dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos estabelecida pelo instituto. A estagnação de Zema coincide com o período de maior turbulência na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, provocada pelo vazamento de áudios do senador com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Entre maio e junho, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viu Lula ampliar sua vantagem na liderança do primeiro turno de 7 para 10 pontos percentuais. Ainda assim, Zema e outros opositores ferrenhos de Lula não conseguiram capitalizar eleitoralmente com as dificuldades de Flávio. Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec e da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), é muito difícil escapar da disputa cristalizada entre o representante do clã Bolsonaro e o petista. "Na minha avaliação do quadro atual, a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula está formada.
O grosso do eleitorado de oposição que tem em Jair Bolsonaro uma referência, eu calculo uns 33% do eleitorado que votam em Bolsonaro. Votaram no primeiro turno em 2018, votaram no primeiro turno em 2022. A maior parte desses 33% estão hoje com Flávio Bolsonaro, que ainda não é tão conhecido quanto o seu pai. E eu acho muito improvável que boa parte desse dos eleitores de Flávio o abandonem para outro candidato, a menos que o próprio Flávio Bolsonaro sinalize que não quer mais ser candidato e está apoiando outra pessoa.
Qualquer outro candidato, seja Zema ou Ronaldo Caiado (PSD), vai ter muita dificuldade de conseguir tirar a liderança do Flávio Bolsonaro na oposição", avalia. O cientista político também aponta que Zema tem dificuldade em transformar sua popularidade em Minas Gerais — onde foi reeleito governador no primeiro turno no último pleito — em intenções de voto no cenário nacional. "Apesar de muitos eleitores terem gostado e avaliado positivamente a administração de Zema nos dois mandatos, boa parte deles votaram em Jair Bolsonaro e, até o momento, não estão dando nenhuma indicação de que vão alterar isso (a manutenção do voto na família Bolsonaro)", destaca Cerqueira.
Em um cenário estimulado de segundo turno, Zema também oscila apenas dentro da margem de erro em uma projeção de embate com Lula. Entre fevereiro e maio, o ex-governador mineiro variou entre 32% e 37% das intenções de voto, registrando 35% em junho. O petista oscilou entre 43% e 45%, mantendo sempre uma vantagem de ao menos 7 pontos percentuais.
No levantamento mais recente da Quaest, além de não registrar qualquer aumento real nas intenções de voto, Zema aparece atrás de outros nomes da direita. O mineiro ocupa a sexta colocação, ficando atrás de Lula, com 39%; Flávio Bolsonaro, com 29%; e Ronaldo Caiado (PSD), com 3%. O ex-governador ainda aparece empatado com Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas que sequer se lançou como pré-candidato à presidência.
Para Adriano Cerqueira, além da polarização que consolida Lula e Flávio Bolsonaro na liderança, Zema atravessa um momento especialmente delicado na pré-campanha em razão da postura adotada no caso do filme "Dark Horse", inspirado em Jair Bolsonaro e financiado por Daniel Vorcaro. "Zema era muito próximo do eleitor de Bolsonaro, mas quando houve o vazamento dos áudios (de Flávio Bolsonaro e Vorcaro), ele imediatamente postou um vídeo cobrando explicações de uma forma dura. Isso caiu muito mal entre o eleitorado bolsonarista e Zema, ao perceber que não tinha crescido, teve que recuar, até porque o PL tem alguns diretórios em acordo com o Novo. [...] Eu acho que ele meio que perdeu momentaneamente o rumo da campanha", destacou o cientista político.
A combinação de uma polarização consolidada, dificuldade em converter popularidade regional em votos nacionais e um recuo estratégico mal recebido pelo eleitorado bolsonarista coloca Zema diante de um cenário desafiador para avançar nas pesquisas antes das eleições de 2026.