Simões diz que seria melhor para ele se Zema não fosse candidato

Mateus Simões admite que a candidatura de Zema à Presidência complica sua disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), declarou que seria mais conveniente para ele se o ex-governador Romeu Zema (Novo) não concorresse à Presidência da República. A declaração foi dada ao jornal O Tempo e acendeu o debate sobre o cenário político mineiro para 2026. "Seria muito mais conveniente para mim que Zema não fosse candidato ou que fosse candidato a vice de Flávio [Bolsonaro]", afirmou Simões.
Na última pesquisa RealTime Big Data de Minas Gerais, divulgada em 21 de maio, Simões aparece atrás de Cleitinho (Republicanos) e Alexandre Kalil (PDT) na disputa pelo governo estadual, o que ajuda a explicar o raciocínio político por trás da declaração. Simões assumiu o governo de Minas Gerais em março, após a renúncia de Zema, e comandará o estado até dezembro de 2026. Apesar do desejo pessoal, o governador deixou claro que não poderia pedir a Zema que desistisse da candidatura por razões de lealdade. "Eu jamais poderia pedir isso para ele, por dois motivos. Primeiro, porque eu estaria subvertendo quem foi leal comigo, ou seja, eu estaria colocando meu interesse à frente daquele que foi quem me convidou para vir para o governo, que foi quem me convidou para ser vice-governador e me escolheu para ser sucessor", explicou.
O governador foi ainda mais direto ao comentar o cenário ideal para Minas Gerais: "Seria ótimo para mim se ele [Zema] e Flávio compusessem. Para Minas Gerais, a eleição estaria resolvida, nós não teríamos nem segundo turno. Mas eu não posso fazer um movimento desse", disse Simões ao Café com Política, do jornal O Tempo.
Questionada pelo UOL, a assessoria de imprensa da pré-campanha de Zema reafirmou a aliança entre os dois. "Eu e Mateus Simões somos aliados. Eu tenho o apoio dele e ele tem o meu apoio. Saliento que serei pré-candidato à Presidência e candidato à Presidência da República pelo partido Novo", destacou a nota.
No campo das articulações nacionais, Zema, que chegou a ser ventilado como possível vice de Flávio Bolsonaro (PL), criticou publicamente um áudio do senador no qual ele pedia dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O valor seria parte de R$ 134 milhões acertados para financiar a produção de "Dark Horse", filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A crítica gerou resposta de Flávio no mês seguinte. "Se o Zema quiser voltar a me ajudar nessa missão, vai ser muito bem-vindo. Ele está colocado como pré-candidato à Presidência da República e estou colocado como pré-candidato à Presidência da República pelo meu partido [...] É óbvio que, em função do que aconteceu, fica inviável ter uma chapa Flávio presidente e Zema vice", disse o senador em entrevista à CNN Brasil.
Diante do distanciamento de Flávio, Zema levantou a possibilidade de aliança com o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD). O ex-governador destacou a boa relação com o político goiano e sinalizou abertura para composições. "Me dou muito bem com o Caiado", afirmou. Questionado sobre a possibilidade de ser vice do ex-governador de Goiás, Zema respondeu em tom descontraído: "Não pode ser o contrário?".
No entanto, Caiado rechaçou a possibilidade de uma chapa conjunta. "O Zema vai continuar com a campanha dele e eu vou continuar com a minha", afirmou durante entrevista ao podcast Iron Talks, acrescentando que as conversas entre eles não têm o objetivo de unificar as candidaturas. O cenário político da direita para 2026 segue, portanto, fragmentado, com Flávio Bolsonaro ainda como o nome mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto na disputa com o presidente Lula (PT).