Ministro do CGU questiona rigor dos EUA com corrupção

Sede da CGU | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Ministro da CGU questiona rigor americano no combate à corrupção e defende atuação soberana do Brasil
Em meio às recomendações americanas de aumento de impostos para o Brasil e às acusações de que o país não estaria cumprindo seu papel no combate à corrupção, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques Carvalho, usou as redes sociais para questionar a postura fiscalizadora dos Estados Unidos em relação às suas próprias empresas. Para o ministro, há uma contradição clara na investigação aberta pelos americanos contra o Brasil.
Vinícius Marques Carvalho afirmou que "há uma contradição difícil de ignorar na investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil" e que o rigor exigido do país não parece ser aplicado com a mesma intensidade às empresas americanas. "O que deveria ser princípio vira conveniência. O que deveria fortalecer instituições vira ferramenta de pressão externa", escreveu no X.
Vinícius Marques Carvalho destacou que o argumento utilizado para pressionar o Brasil é o combate à corrupção. No entanto, segundo ele, esse mesmo discurso surge justamente no momento em que o governo dos Estados Unidos reduz a prioridade de aplicação do FCPA. "Mas esse mesmo discurso aparece no momento em que o governo dos Estados Unidos reduz a prioridade de aplicação do FCPA, lei criada para punir empresas americanas que corrompem agentes públicos em outros países", postou, citando a Foreign Corrupt Practices Act, conhecida como Lei de Práticas de Corrupção no Exterior.
Para o ministro, quando a corrupção envolve empresas americanas atuando fora de suas fronteiras, a cobrança perde força. Já quando se trata de pressionar um país soberano, o combate à corrupção se transforma em instrumento geopolítico. Vinícius Marques Carvalho foi além e criticou diretamente o envolvimento da família Bolsonaro na ofensiva. "No caso brasileiro, a contradição é ainda mais grave porque essa ofensiva contou com apoio e provocação da família Bolsonaro, que mais uma vez aposta em levar disputas domésticas para Washington e transformar divergências políticas internas em ataques à soberania nacional", atacou.
Vinícius Marques Carvalho apresentou dados concretos para reforçar que o Brasil segue aplicando a Lei Anticorrupção com vigor. Desde 2013, a Lei nº 12.846 permitiu:
- A instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas em todo o país;
- A aplicação de cerca de R$ 2,1 bilhões em multas a empresas envolvidas em irregularidades;
- A celebração de 36 acordos de leniência, com compromissos de devolução superiores a R$ 20,1 bilhões;
- O retorno de mais de R$ 11,3 bilhões aos cofres públicos até o momento.
Além disso, Vinícius Marques Carvalho informou que, somente em 2025, a CGU participou de 76 operações com a Polícia Federal, que identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais a grupos criminosos. "A atuação recente também mostra um Estado mais capaz de investigar e prevenir irregularidades", afirmou. Segundo ele, auditorias corrigiram distorções bilionárias em programas sociais, operações desarticularam redes criminosas e ferramentas de inteligência evitaram perdas antes que elas acontecessem.
Ao encerrar sua manifestação, Vinícius Marques Carvalho foi enfático ao defender a postura do governo brasileiro. "O Brasil não está recuando no combate à corrupção. Está fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei. A diferença é que faz isso dentro da democracia, com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países."
O ministro concluiu afirmando que a melhor resposta à hipocrisia é a prática. "E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais", finalizou Vinícius Marques Carvalho.