Venezuela é atingida por dois fortes terremotos; ao menos 164 pessoas morreram

Foto: X/Reprodução
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, matando ao menos 32 pessoas e deixando 700 feridos
Dois terremotos de grande magnitude atingiram a Venezuela nesta quarta-feira, matando pelo menos 164 pessoas e deixando cerca de 900 feridos. Dezenas de prédios desabaram na capital, Caracas, e em regiões vizinhas, desencadeando operações intensas de resgate que se estenderam pela madrugada de quinta-feira. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro tremor foi de magnitude 7,2 e atingiu uma região a quase 160 km a oeste de Caracas. Menos de um minuto depois, um segundo terremoto de magnitude 7,5 sacudiu a mesma área.
Utilizando modelos preditivos, o USGS estimou que o número de mortos poderia chegar a milhares, com probabilidade substancial de ultrapassar 10.000 vítimas fatais. Imagens de vídeo mostraram equipes de emergência trabalhando entre os escombros de um prédio que desabou na capital ao cair da noite, enquanto familiares buscavam informações sobre parentes que se acreditava estarem presos sob os destroços. Vários sobreviventes atordoados foram retirados do local, alguns em macas. "Quando descemos as escadas, a cena parecia um filme de terror", disse Maria Alejandra, moradora de um prédio próximo, que não revelou seu sobrenome. "Tivemos que escalar os escombros e tudo mais.
O zelador do prédio com o bebê e todos os vizinhos desceram. Mas daquele prédio, só vi aquela família conseguir sair." A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou que os números iniciais de vítimas ainda não incluíam os do estado de La Guaira, o mais afetado, localizado próximo a Caracas e onde fica o aeroporto da cidade, que foi fechado após os tremores. "Dezenas de prédios desabaram, e estamos realizando, neste momento, esforços de resgate muito intensos para salvar tantas vidas quanto Deus nos permitir salvar", afirmou ela em aparição na televisão estatal pouco antes da 1h da manhã, horário local, na quinta-feira. "Também quero dizer que esta é uma verdadeira tragédia.
Daqui, enviamos nossa mensagem de solidariedade e, às famílias que perderam entes queridos, reafirmamos nossas condolências e nosso apoio nestas horas difíceis." Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas, divulgado no X por líderes da oposição venezuelana — muitos dos quais estão no exterior —, listava mais de 6.600 pessoas como desaparecidas logo após as 2h da manhã, horário local. Muitos venezuelanos estavam em casa quando os terremotos ocorreram durante a tarde de um feriado. "Houve um estrondo muito alto. Coisas caíram na casa, jarros dentro da geladeira. Nunca passei por nada parecido", relatou Coro Martinez, 56 anos, moradora da zona leste de Caracas.
Os tremores secundários continuaram a abalar a capital até as primeiras horas da quinta-feira. Rodríguez informou que o país estava concentrado nos esforços de resgate, incluindo a chegada de equipes de outros países nas horas seguintes, e agradeceu a líderes internacionais, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump. Trump publicou nas redes sociais que os EUA estavam prontos, dispostos e aptos a ajudar no desastre. "Os dois grandes terremotos que acabam de atingir o maravilhoso povo da Venezuela são de enorme magnitude e causaram um número devastador de mortes", disse Trump, que havia ordenado a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação em janeiro.
Wilmer Azuaje, ex-deputado venezuelano, registrou o momento em que o terremoto atingiu o Aeroporto de Maiquetía, fazendo com que pedaços de alvenaria e nuvens de poeira caíssem. "Pessoal, a situação que estamos vivendo aqui é grave. Um terremoto de alta magnitude. Vejam como tudo ficou", disse ele enquanto filmava a cena. Foi emitido um alerta de tsunami, mas rapidamente cancelado depois que o perigo passou.
Moradores de toda a cidade de Caracas — que também foi atingida por um terremoto mortal de magnitude 6,3 em 1967 — correram para evacuar os edifícios enquanto os prédios tremiam. "Assim que começou, começamos a ouvir pessoas gritando", disse Astrid Ramirez, publicitária de 41 anos na zona oeste de Caracas. "Todo mundo estava descendo correndo as escadas." Maria Romero, aposentada de 80 anos na zona sul da capital, disse que a polícia a ajudou a sair de casa. "Este terremoto foi horrível, ainda pior do que o de 1967", afirmou.
Outra moradora, funcionária de escritório de 41 anos que preferiu não se identificar, disse ter recebido um alerta de terremoto no celular pouco antes de o tremor se intensificar. "Quando peguei o celular e comecei a ouvir o que dizia, senti primeiro um leve tremor. Então, em menos de dois segundos, tudo começou a se mover." Líderes de países como El Salvador, República Dominicana, Brasil e Espanha ofereceram apoio e solidariedade. O Departamento de Estado dos EUA informou que estava em contato com as autoridades venezuelanas e mobilizando ajuda.
Em nota publicada na noite de quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que até o momento não foram identificados brasileiros entre as vítimas. "O Brasil expressa solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja pronta recuperação aos feridos", acrescentou o Itamaraty. A embaixada dos EUA em Caracas informou que acompanhava de perto as consequências do terremoto e pediu aos cidadãos no país que procurassem abrigos seguros. A Venezuela está localizada em uma zona sismicamente ativa, onde a Placa do Caribe se encontra com a Placa Sul-Americana. Estima-se que 30 mil pessoas tenham morrido quando um forte terremoto causou destruição generalizada nas cidades de Mérida e Caracas em 1812, de acordo com o USGS.
No Hospital de Clínicas de Caracas, os funcionários foram solicitados a trabalhar em turnos duplos durante a noite para atender os feridos, segundo um funcionário do local. As aulas foram canceladas pelo restante da semana, enquanto as autoridades iniciavam a avaliação dos danos. A infraestrutura petrolífera da Venezuela não pareceu ter sido afetada imediatamente pelos tremores. As autoridades de proteção civil em Maracaibo, perto do polo petrolífero do Lago Maracaibo, informaram que não houve registros de feridos.
Um funcionário da refinaria El Palito, próxima a Morón — epicentro do terremoto —, afirmou que não houve danos no local. A petrolífera britânica Shell, que avalia o desenvolvimento de campos de gás na Venezuela, informou que todos os seus funcionários no país foram localizados e não há feridos. Uma fonte observou que uma interrupção prolongada no fornecimento de energia elétrica poderia afetar os níveis de produção de petróleo bruto até que o serviço fosse restabelecido.