PT e PL concentram 86% das denúncias registradas no TSE este ano

Fachada do TSE | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
PT e PL concentram 86% das 141 representações protocoladas no TSE em 2026, com temas que vão de propaganda irregular ao uso de IA
A federação do Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o Partido Liberal (PL), do senador Flávio Bolsonaro, lideram o número de denúncias registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026. Os dois partidos concentram a grande maioria das representações protocoladas na Corte Eleitoral neste ano, em um cenário de disputa acirrada que antecede as eleições presidenciais.
Um levantamento feito pelo Metrópoles revelou que, até a última sexta-feira (26/6), o TSE havia registrado ao menos 141 denúncias em 2026. Desse total, cerca de 86% foram protocoladas pelo PT e pelo PL. Na comparação entre os dois partidos, os números são praticamente idênticos: o PL apresentou 61 representações, enquanto o PT registrou 60.
As denúncias abrangem temas como pesquisas eleitorais, propaganda irregular, impulsionamento indevido e uso de Inteligência Artificial (IA). Na maior parte dos casos, os partidos dos dois principais pré-candidatos à presidência trocam acusações entre si.
Das ações movidas pelo PL, oito citam diretamente o presidente Lula. Nos demais casos, a legenda mira parlamentares, militantes petistas ou pessoas ligadas ao mandatário.
Acusações cruzadas entre PT e PL
Em um dos casos apreciados pela Corte, o PL acusou os deputados Lindbergh Farias (PT) e Rogério Correia (PT) de publicarem imagens que associam Flávio Bolsonaro ao crime organizado. Na montagem, os parlamentares afirmavam que "A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico".
O ministro responsável pelo caso, André Mendonça, reconheceu que, embora críticas políticas sejam permitidas, atribuir a um pré-candidato vínculo com o crime organizado sem prova mínima, em contexto eleitoral, não é protegido pela liberdade de expressão e pode configurar propaganda eleitoral negativa antecipada. Com isso, o magistrado determinou a remoção do conteúdo das redes sociais.
Do outro lado, das 60 ações protocoladas pela federação do PT, 18 citam Flávio Bolsonaro.
Um dos casos analisados pelo TSE mira um vídeo publicado pelo pré-candidato do PL no qual ele chamou Lula de "o maior mentiroso que este Brasil já viu". Na mesma publicação, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula teria ido aos Estados Unidos "fazer lobby para bandido".
Na representação, a federação petista alegou que as declarações eram falsas e tinham potencial para enganar o eleitorado.
O caso foi analisado pelo ministro Nunes Marques, que entendeu que, ainda que as declarações tenham sido "duras e desfavoráveis" a Lula, elas configuram crítica política protegida pela liberdade de expressão. A liminar apresentada pelo PT foi negada e o vídeo permaneceu no ar.
Uso de Inteligência Artificial ganha destaque no TSE
As denúncias envolvendo o uso de Inteligência Artificial começam a ganhar relevância na Corte Eleitoral. Ao menos nove das representações protocoladas no TSE tratam do uso de IA para a produção de conteúdo falso ou manipulado.
Em uma delas, a federação do PT acusa o senador Marcos do Val (Avante-ES) de publicar uma imagem manipulada por IA que associa Lula ao escândalo do Banco Master. O ministro André Mendonça analisou o caso e determinou a remoção do conteúdo das redes sociais.
Ainda nesta semana, o TSE determinou a remoção de um deep fake com conteúdo falso sobre o senador Flávio Bolsonaro. A imagem falsa apresentava Ciro Nogueira (PP) e Rogério Marinho (PL) como articuladores da candidatura de Flávio Bolsonaro. A Corte ordenou a imediata retirada do conteúdo, que havia sido publicado por um internauta nas redes sociais.
O cenário evidencia que, a mais de um ano das eleições presidenciais, o ambiente digital já se tornou um campo de disputas jurídicas intensas, com PT e PL protagonizando a maior parte das batalhas no TSE.