Senado dos EUA aprova US$ 70 bi para agenda de imigração de Trump

Vista do Capitólio, o prédio do Congresso dos EUA — Foto: Kenny Holston/The New York Times
Senado dos EUA aprova pacote bilionário para o ICE e a Patrulha da Fronteira, mas votação expõe divisões entre republicanos
O Senado dos Estados Unidos aprovou um pacote de US$ 70 bilhões (R$ 352 bilhões) para financiar a política de fiscalização da imigração de Donald Trump. Os recursos serão destinados ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e à Patrulha da Fronteira até o fim do mandato presidencial, representando uma vitória política significativa para Trump em uma de suas principais promessas de campanha.
A medida segue agora para a Câmara dos Representantes, onde os líderes republicanos planejam analisá-la no início da próxima semana antes de enviá-la para a sanção do presidente. A votação expôs divergências internas entre os republicanos sobre outras propostas do presidente, revelando as tensões que persistem mesmo com o partido no controle do Congresso.
O contexto da paralisação
A aprovação ocorre após uma paralisação parcial recorde do Departamento de Segurança Interna (DHS) no início deste ano, quando os democratas se recusaram a apoiar novos fundos para a fiscalização da imigração sem restrições. As exigências democratas incluíam limitações a táticas como batidas policiais e o uso de máscaras por agentes do ICE.
Os republicanos rejeitaram essas condições e optaram por financiar o ICE e a Patrulha da Fronteira por meio do processo acelerado de "reconciliação orçamentária", mecanismo que permite contornar a oposição democrata, desde que mantenham seus próprios membros unidos.
Maratona de emendas e divisões internas
A votação no Senado foi precedida por uma sessão de maratona na quinta-feira, durante a qual diversas emendas foram analisadas, evidenciando as divisões entre os republicanos. O texto original incluía uma proposta para um fundo "antipolitização" destinado a aliados de Trump que alegam ter sido alvo de perseguição injusta por administrações anteriores, além de uma verba de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) para a segurança do salão de baile que Trump planeja construir na Casa Branca.
O projeto de lei de imigração aprovado não incluiu a verba para o salão de baile, mas ambas as questões ressaltaram o desconforto de parte dos republicanos em defender as prioridades de Trump na corrida para as eleições de meio de mandato.
A rebelião em torno do fundo "antipolitização"
O projeto de lei foi adiado por semanas devido a uma rebelião de senadores contra o pacote de compensação "antipolitização" proposto pelo Departamento de Justiça, avaliado em US1,8bilhao. Os críticos classificaram o mecanismo como um "fundo opaco" que poderia permitir que pessoas condenadas pelo ataque ao Capitólio em 2021 recebessem dinheiro dos contribuintes.
O procurador-geral interino, Todd Blanche, informou aos parlamentares nesta semana que o governo não daria prosseguimento ao fundo. Apesar disso, Trump continuou a defendê-lo como um projeto "maravilhoso" e afirmou que teria que "consultar os advogados" para saber se estava morto ou apenas suspenso.
Essa ambiguidade levou alguns republicanos a tentarem eliminar explicitamente o fundo da lei. "Não há como explicar o fundo de 1,776 bilhão" de dólares, disse o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, a repórteres.
Resistência interna e pressão eleitoral
Embora as votações sobre as emendas tenham tido pouco impacto na agenda de Trump, elas destacaram um problema recorrente para os republicanos: mesmo com o controle do Congresso, o partido precisa lidar com a resistência interna ao custo político associado a algumas das prioridades do presidente.
Vários senadores se distanciaram de medidas relacionadas ao fundo "antipolitização", ao financiamento do salão de baile e à tentativa de Trump de nomear um funcionário da área de habitação leal ao presidente para chefiar a inteligência dos EUA.
Os democratas aproveitaram a oportunidade para tentar redirecionar verbas da fiscalização da imigração para o setor de habitação e outros programas sociais. Com as eleições de meio de mandato se aproximando em um cenário marcado pela inflação, os democratas argumentam que os republicanos priorizam a agenda de deportações de Trump em detrimento do custo de vida da população.