EUA bombardeiam instalações do Irã em revide

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EUA bombardeiam instalações iranianas após abate de drone americano, enquanto Trump negocia acordo nuclear com Teerã
Os Estados Unidos bombardearam instalações de drones em dois pontos do Irã neste fim de semana, em meio a um cessar-fogo frágil entre os dois países. O Comando Central dos EUA classificou os ataques como "calculados e deliberados", realizados em "autodefesa", informando que as ações ocorreram nas localidades de Goruk e na ilha de Qeshm. Segundo Washington, o bombardeio foi uma resposta direta ao abatimento de um drone americano modelo MQ-1 que operava sobre águas internacionais.
Os EUA não detalharam o local exato onde o drone foi derrubado, mas o Irã afirmou ter realizado um ataque próprio no fim de semana, enquanto o Kuwait declarou ter recebido "fogo inimigo". De acordo com o Comando Central, os alvos do ataque americano foram uma estação de controle de drones e dois drones. O órgão informou que nenhum militar americano ficou ferido e fez referência ao cessar-fogo em vigor entre os dois países. "Continuaremos protegendo os ativos e interesses dos EUA em resposta à agressão iraniana injustificada durante o cessar-fogo em curso", afirmou o comunicado oficial.
O bombardeio representa mais um ponto de tensão durante um cessar-fogo considerado frágil. O acordo para interromper a guerra foi assinado em abril e prorrogado unilateralmente pelos Estados Unidos ao fim do prazo. Desde então, Israel, que iniciou ataques ao Líbano no começo do conflito, também firmou uma trégua com o país, estendida por 45 dias neste mês. Os ataques ocorrem um dia após uma sinalização de avanço nas negociações entre EUA e Irã. O presidente Donald Trump afirmou ter recebido do país do Oriente Médio a garantia de não desenvolvimento de armas nucleares. T
rump declarou que a principal condição para um acordo é que Teerã se comprometa a não possuir armamento nuclear. "A garantia que preciso ter é que não haverá uma arma nuclear. Eles aceitaram isso e é muito interessante", declarou em entrevista à sua nora Lara Trump, exibida pela Fox News na noite de sábado. Trump também citou como prioridade a reabertura do estreito de Hormuz, rota estratégica para o petróleo mundial. Antes da guerra, a passagem concentrava cerca de 20% do suprimento global de petróleo, e a retomada do tráfego marítimo é tratada por Washington como parte central do acordo.
O presidente, no entanto, disse que ainda não decidiu sobre a proposta e que não tem urgência para fechar o entendimento. "Não tenho pressa", afirmou, acrescentando que os EUA podem encerrar as conversas caso não obtenham o que desejam. "Vamos ter que terminar de outra maneira", declarou. Do lado iraniano, Teerã já havia colocado em dúvida as declarações de Trump e condicionado qualquer avanço à liberação de recursos congelados.
O governo iraniano insiste na liberação de US$ 12 bilhões antes de entrar em conversas mais aprofundadas sobre temas como o programa nuclear. Autoridades iranianas também contestaram a versão de que o urânio enriquecido do país teria sido destruído, afirmando que os comentários de Trump sobre a eliminação desse material não têm fundamento. Teerã também quer que o Líbano seja incluído no pacote de negociações, em meio à ofensiva de Israel contra o Hezbollah. Beirute acusou Israel de aplicar uma "política de terra arrasada", enquanto o Exército israelense afirmou que a operação no país "se estende a outras zonas". Fontes americanas indicaram que a proposta de acordo ainda aguarda o aval final de Trump, sem decisão tomada. No sábado, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em uma cúpula de segurança em Singapura que Washington é "mais que capaz" de reiniciar a guerra, se necessário.