Tesouro enfrenta leilão sob pressão

Fonte: QuoteInspector.com
Juros futuros sobem com tensões no Oriente Médio, tarifas dos EUA e leilão do Tesouro antecipado por feriado
Os juros futuros avançaram em toda a curva na manhã desta quarta-feira, 3, em um cenário marcado pela cautela diante das tensões entre Estados Unidos e Irã. O clima de incerteza geopolítica impulsionou o petróleo, os rendimentos dos Treasuries e o dólar, enquanto as preocupações com os efeitos do novo tarifaço americano sobre o Brasil também pesaram no mercado.
No campo dos dados econômicos, a produção industrial de abril registrou alta de 0,7% em relação a março na série com ajuste sazonal, superando a mediana das estimativas, que apontava para 0,5%. O resultado positivo, porém, não foi suficiente para dissipar o clima de cautela nos mercados. Outro ponto de atenção foi o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, com LTN e NTN-F, programado para as 11 horas e antecipado para esta quarta por causa do feriado de Corpus Christi na quinta-feira, 4.
O cogestor da Warren Investimentos, Luis Felipe Laudisio, destacou que o Tesouro acumula atraso em relação ao Plano Anual de Financiamento (PAF) e que o cenário é de abertura de taxas no exterior. "O mercado testará se o Tesouro reduzirá agressivamente o lote para evitar pagar prêmios excessivos ou se aceitará o custo em prol do colchão de liquidez", afirmou em relatório.
Nos números, às 9h20, a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subia para a máxima de 14,220%, ante 14,168% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 atingia máxima de 14,155%, contra 14,053% no fechamento anterior, enquanto o contrato para janeiro de 2031 chegava à máxima de 14,150%, de 14,063% no ajuste de terça-feira, 2. O conjunto de fatores — tensões geopolíticas, tarifas americanas e o leilão do Tesouro — manteve os agentes financeiros em estado de alerta, com os juros futuros refletindo a pressão acumulada tanto no cenário externo quanto nas incertezas fiscais domésticas.