Homem que atirou mulher de penhasco pode pegar até 86 anos de prisão

Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, foi jogada de um penhasco na Serra do Rola-Moça pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos - Fotos: Divulgação/ PCMG e Imagens cedidas
Silvanildo Amâncio de Araújo pode cumprir até 86 anos de prisão pelos crimes cometidos contra a ex-companheira na Serra do Rola-Moça
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu nesta segunda-feira (29) o inquérito que investigou a tentativa de feminicídio contra uma mulher de 41 anos, encontrada com vida em um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte, no dia 26 de maio. Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, foi indiciado por seis crimes e pode cumprir cerca de 86 anos de prisão, caso sejam aplicadas as penas máximas previstas em lei. Silvanildo foi preso no mesmo dia do ocorrido, em Várzea da Palma, no Norte de Minas, após fugir da região metropolitana.
Segundo a delegada regional de Ibirité, Ana Paula Gontijo, os crimes pelos quais ele foi indiciado são:
- Tentativa de feminicídio: o principal crime pelo qual Silvanildo responde, após jogar a vítima de um penhasco na Serra do Rola-Moça.
- Descumprimento de medidas protetivas: a vítima havia obtido uma medida protetiva em fevereiro deste ano, após registrar queixa pelo comportamento agressivo do ex-companheiro, mas a ordem foi ignorada.
- Sequestro e cárcere privado: durante o período em que manteve a mulher em cárcere, Silvanildo a ameaçou constantemente com uma faca.
- Roubo: o suspeito se apoderou dos pertences da vítima, incluindo o celular, obrigando-a a desbloquear o aparelho antes de ficar com ele.
- Estupro: os investigadores afirmam que Silvanildo obrigou a vítima a praticar sexo durante o período de cárcere.
- Tortura: a mulher foi submetida a agressões e ameaças constantes ao longo do tempo em que ficou sob o controle do suspeito.
"O inquérito já foi encaminhado à Justiça. O próximo passo agora é o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público", explicou a delegada Ana Paula Gontijo.
As investigações revelaram que a vítima convivia há anos com perseguições, ameaças e agressões praticadas por Silvanildo. Em 2020, ela já havia registrado uma ocorrência contra ele. Em fevereiro deste ano, voltou a procurar a polícia em razão do comportamento agressivo e do ciúme excessivo do ex-companheiro, conseguindo uma medida protetiva que, segundo a Polícia Civil, foi descumprida. A chefe do 2º Departamento de Polícia Civil, delegada Gislaine Rios, afirmou que o comportamento violento de Silvanildo não se restringia ao relacionamento com a vítima.
Durante a investigação, a polícia identificou registros de ameaças feitas por ele quando trabalhava como motorista de aplicativo. Em um dos casos, após discutir com uma passageira por causa de uma alteração de rota, ele teria ido até a casa dela armado com uma faca, dizendo que sabia onde ela morava. Segundo a delegada, o investigado demonstra intolerância principalmente contra mulheres.
De acordo com a Polícia Civil, durante o período em que manteve a vítima em cárcere privado, Silvanildo a ameaçou constantemente com uma faca e chegou a obrigá-la a praticar sexo. Os investigadores também afirmam que ele roubou os pertences da mulher, incluindo o celular, obrigando-a a desbloquear o aparelho antes de ficar com ele. Ainda conforme a polícia, o suspeito dizia que não se importava com a vítima nem com a filha do casal, afirmando que a adolescente poderia ser criada pelo genro.
Embora Silvanildo tenha permanecido em silêncio durante o interrogatório na Polícia Civil, os investigadores afirmam ter reunido provas suficientes da autoria dos crimes. Segundo a delegada Gislaine Rios, o suspeito confessou ao genro que havia empurrado a vítima no penhasco, em uma conversa ocorrida após familiares iniciarem as buscas pela mulher. No momento da prisão, policiais militares também registraram uma confissão feita por Silvanildo.
Além disso, dentro do carro usado na fuga foram encontrados roupas, dinheiro e celulares. As investigações apontam ainda que Silvanildo tentou dificultar o resgate da vítima ao fornecer informações falsas sobre onde ela estaria. Para a Polícia Civil, a intenção era não apenas matá-la, mas também ocultar o corpo em uma área de mata de difícil acesso. A mulher permaneceu cerca de 24 horas no penhasco e conseguiu ser localizada ao sinalizar para as equipes de resgate quando avistou os helicópteros do Corpo de Bombeiros.