Shopee e outras plataformas asiáticas movimentam R$ 130 bi no Brasil

Aplicativo da Shopee - Imagem: Rokas / Adobe Stock
Plataformas como Shopee, Shein e TikTok já respondem por 41,5% do e-commerce brasileiro em 2025, segundo pesquisa da EY e Klavi
Nos últimos anos, plataformas asiáticas de comércio eletrônico como Shopee, Shein e TikTok deixaram de ser apenas palavras novas no vocabulário dos brasileiros para se tornar destinos frequentes de consumo. Em 2025, os gastos nessas plataformas atingiram R$ 130 bilhões no país, o equivalente a R$ 356 milhões por dia, segundo pesquisa das empresas de inteligência de mercado EY e Klavi divulgada recentemente.
Entre o primeiro e o último trimestre de 2025, a participação dessas plataformas no mercado de e-commerce brasileiro subiu de 32% para 41,5%. No mesmo período, o market share das empresas tradicionais — Amazon, Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza e Mercado Livre — recuou de 67,5% para 58%, conforme os dados da pesquisa.
Esse avanço aconteceu mesmo sob a pressão da chamada "taxa das blusinhas", que elevou o custo das compras nessas plataformas. Em um ano, o percentual de consumidores que desistiram de finalizar compras ao se deparar com o total de tributos saltou de 15% para 38%, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicado em outubro.
Com a derrubada da taxa pelo governo federal, que passou a valer em maio, o crescimento dos sites asiáticos tende a acelerar.
Plataformas como AliExpress, Kwai Shop, Shein, Shopee, TikTok Shop e Temu chegaram ao Brasil carregando o estigma da desconfiança.
Ainda hoje, o tíquete médio dos consumidores nas plataformas asiáticas é consideravelmente menor do que nos sites mais consolidados — R84,14contraR84,14contraR 212,84. Shopee e similares lideram na venda de itens mais baratos e em maior volume, mas a fronteira entre elas e os players tradicionais está ficando mais tênue.
Ainda que os valores movimentados cheguem às centenas de milhões diariamente, os gastos dos brasileiros em plataformas como Shopee estão bem abaixo do que é consumido em bets, que chegam a R$ 30 bilhões por mês, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As casas de apostas estão na mira do governo e de especialistas, enquanto as "compras baratinhas" na internet não despertam o mesmo alerta.
A recorrência de compras nas plataformas asiáticas é maior do que na concorrência, segundo o Panorama do Varejo Digital. Ela é de 0,97 transações por mês, contra 0,65 nas empresas convencionais. "Não é a blusinha pela blusinha, é a criação de um hábito, uma compra com recorrência de pequenos gastos em que não enxergamos o quanto estamos fazendo de dívida no final", conclui a pesquisadora.