Governo Lula enfrenta impasse no Senado e vê pautas prioritárias travadas

Foto: Senado/Reprodução
Propostas prioritárias do governo Lula, como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6×1, seguem sem avanço no Senado a menos de um mês do recesso parlamentar
A menos de um mês do recesso parlamentar, previsto para 17 de julho, uma série de pautas consideradas prioritárias pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue sem definição no Senado Federal.
A falta de consenso político e a disputa pela agenda da Casa, comandada por Davi Alcolumbre (União-AP), têm retardado a tramitação de matérias estratégicas para o Planalto.
O cenário de impasse tem raízes no desgaste entre Lula e Alcolumbre, após o senador amapaense articular contra a aprovação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde então, a relação entre o Executivo e a presidência do Senado acumula tensões que refletem diretamente no andamento das propostas governistas.
Entre os principais exemplos de pauta travada está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das apostas do governo para fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado.
Alcolumbre convidou o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para assumir a relatoria da proposta, mas a definição ainda não foi formalizada.
O próprio parlamentar confirmou ter sido procurado para discutir o tema, mas ressaltou a indefinição. "O que houve, por parte do presidente Davi Alcolumbre, foi uma ponderação em relação a mim sobre a PEC da Segurança, se eu pudesse contribuir, mas também não é algo definido", afirmou Pacheco.
Outra matéria que aguarda definição no Senado é a PEC que extingue a escala de trabalho 6×1.
A proposta chegou à Casa cercada de expectativa, após mobilizar centrais sindicais e parlamentares de esquerda, mas segue sem avanços concretos.
Na última semana, Pacheco descartou assumir a relatoria da matéria, afirmando que outros senadores já demonstraram interesse em conduzir o texto. "Há vários senadores que pretendem a relatoria dessa proposta do fim da escala 6×1. Eu não estou no rol dos que pediram essa relatoria. Então, eu não serei o relator", disse o ex-presidente do Congresso Nacional.
Nos bastidores, parlamentares admitem que o tema enfrenta resistência de setores empresariais e de parte dos partidos de centro e direita, o que dificulta a construção de um acordo para acelerar a tramitação.
A pressão do calendário eleitoral de 2026 também é apontada como fator que reduz o espaço para matérias potencialmente polêmicas.
O Senado também precisa deliberar sobre o chamado Redata, projeto voltado à regulamentação e ao compartilhamento de dados entre órgãos públicos.
Defendido por integrantes do Executivo como ferramenta para aprimorar políticas públicas e a fiscalização estatal, a matéria ainda aguarda definição sobre os próximos passos na Casa.
Além dessas propostas, outras pautas de interesse do Planalto permanecem sem deliberação final, incluindo projetos ligados à reforma administrativa do Estado, medidas de fortalecimento da arrecadação federal e iniciativas voltadas à regulamentação de setores econômicos considerados estratégicos pelo governo.
Senadores atribuem a lentidão à concentração de temas na pauta legislativa e ao desgaste acumulado na relação entre Congresso e Executivo ao longo do semestre.
Com poucas semanas restantes antes do recesso, a tendência é que apenas um número limitado de projetos avance no Senado.
Caso não haja acordo entre líderes partidários e a presidência da Casa, parte relevante da agenda governista deverá ser postergada para o segundo semestre, ampliando os desafios do Palácio do Planalto na reta final do ano legislativo.