Eleição no Peru tem apuração mais apertada em décadas, com disputa voto a voto

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputarão segundo turno da eleição presidencial do Peru - Fotos: Raul Sifuentes | Vasquez/Anadolu
Com 98% das urnas apuradas, Sánchez tem 50,05% dos votos contra 49,98% de Fujimori, diferença de apenas 20 mil votos
Os candidatos à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, da Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, da Força Popular, disputam o resultado do segundo turno com uma diferença inferior a um ponto percentual na contagem dos votos.
Até as 10h30 desta quarta-feira (10), mais de 98% das urnas já haviam sido apuradas, com Sánchez na liderança com 50,05% dos votos contra 49,98% de Fujimori — uma margem de apenas 20 mil votos.
Mesmo com quase a totalidade das urnas contabilizadas, o resultado oficial pode levar duas semanas ou mais para ser divulgado, conforme informou o chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Bernardo Pachas.
O prazo pode se estender até o fim de junho, a depender das contestações registradas nas atas eleitorais, documento indispensável para declarar o novo líder do Peru. Ainda assim, o ritmo da apuração está dentro do padrão histórico peruano.
Trajetória da apuração
Os primeiros dados oficiais foram divulgados às 22h de domingo (7) pelo órgão eleitoral do país. Naquele momento, Keiko Fujimori assumiu a liderança com cinco pontos percentuais de vantagem sobre Sánchez.
A diferença, no entanto, foi se estreitando ao longo dos dias seguintes. Na segunda-feira (8), a vantagem de Fujimori caiu para menos de um ponto percentual.
Durante a tarde daquele mesmo dia, às 13h07, Sánchez ultrapassou a adversária e desde então se mantém à frente na contagem.
No exterior, a apuração estava em 67,36%, com Fujimori bem à frente, registrando 62,46% dos votos contra 37,54% de Sánchez. Em contrapartida, Sánchez demonstra maior força nos redutos rurais do país.
Perfil dos candidatos
Fujimori e Sánchez representam projetos políticos opostos. Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, ela busca se beneficiar do legado paterno, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate a grupos insurgentes, mas também marcado por críticas relacionadas a violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Já Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista, se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso em 2022, após tentar dissolver o Congresso em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.
Contexto das eleições de 2026
As eleições peruanas de 2026 contaram com 35 candidatos à presidência no primeiro turno, um número recorde. O processo ocorre em um cenário de intensa instabilidade política: o país registrou nove presidentes em dez anos, período em que os mandatos constitucionais deveriam ser de cinco anos.
Cerca de 27 milhões de peruanos foram convocados para votar. Diferentemente do primeiro turno, realizado em abril e marcado por problemas logísticos e atrasos em algumas regiões, o segundo turno transcorreu sem incidentes relevantes.
Com a apuração praticamente concluída e Sánchez à frente por margem mínima, o Peru aguarda a confirmação oficial do resultado, que depende da análise das atas contestadas e pode se estender até o fim de junho.