Sánchez lidera eleição no Peru com vantagem mínima

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Apuração do segundo turno no Peru segue indefinida, com Keiko Fujimori a menos de 0,2 ponto percentual do rival Sánchez
A apuração do segundo turno presidencial no Peru avança voto a voto, com o esquerdista Roberto Sánchez mantendo uma vantagem mínima sobre a direitista Keiko Fujimori. O resultado final pode levar dias para ser proclamado, em um cenário descrito pelas autoridades como indefinido. Com pouco mais de 95% das urnas apuradas, Sánchez registrava cerca de 50,1% dos votos contra 49,9% de Keiko Fujimori em uma das últimas atualizações.
A diferença ínfima mantém o desfecho em aberto e aumenta a tensão no país. Um dos principais fatores que podem atrasar o resultado é a existência de centenas de milhares de votos sob contestação. As autoridades eleitorais ainda analisam entre 400 mil e 450 mil votos registrados em atas questionadas, que precisam passar por verificação antes de serem incorporados à totalização oficial. Parte dos votos que ainda faltam ser contabilizados vem de áreas que historicamente são processadas por último, como cédulas do exterior e de zonas rurais. Esses fatores tendem a prolongar o processo e podem influenciar o placar final entre Sánchez e Keiko Fujimori.
A tendência é de que a conclusão da apuração não ocorra antes de quarta-feira. O Ministério das Relações Exteriores do Peru informou que a chegada das atas do exterior deve ser concluída três dias após as votações, e elas correspondem a 2.506 mesas eleitorais distribuídas em 73 países. As atas contestadas ainda podem percorrer mais de uma etapa de decisão até o resultado final. Segundo as informações divulgadas, 1.513 atas pendentes precisam ser enviadas aos Júris Eleitorais Especiais (JEE) para decisão em primeira instância, e parte delas pode seguir ao Júri Nacional de Eleições (JNE), que tem a palavra final sobre o processo. O mapa eleitoral revela uma divisão regional que se repete em eleições recentes no Peru.
Lima e outras áreas urbanas tendem a concentrar apoio a Keiko Fujimori, enquanto as regiões andinas e as zonas rurais registram maior respaldo a Sánchez. A polarização entre os dois candidatos se soma a uma crise política prolongada no país. O Peru teve oito presidentes desde 2016, e analistas avaliam que qualquer vencedor deverá enfrentar resistência de uma parcela expressiva do eleitorado. A ausência de maioria no Congresso deve dificultar a governabilidade do próximo governo. Nenhum dos dois candidatos conta com maioria parlamentar, e a posse do futuro presidente está prevista para 28 de julho. A segurança pública foi o tema central da campanha e aparece como a principal cobrança ao próximo presidente. Lima registrou uma taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, e tanto Sánchez quanto Keiko Fujimori apresentaram propostas distintas para enfrentar a criminalidade no país.