Brasil registra 62,2 milhões de vínculos empregatícios formais, diz levantamento

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Dados da Rais mostram que o setor público gerou 1,001 milhão de empregos no primeiro bimestre de 2026, elevando o estoque total a 13,82 milhões de vínculos
O Brasil registrou 62,2 milhões de vínculos formais ativos em fevereiro deste ano, de acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que abrange resultados dos setores público e privado ao longo do ano. Em comparação com os números de dezembro de 2025, houve um acréscimo de 1,4 milhão de empregos, dos quais 1,001 milhão ocorreu entre agentes públicos. Os dados da série de janeiro de 2025 a fevereiro de 2026 foram divulgados nesta quarta-feira (24/6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e representam a primeira vez que a Rais é repassada publicamente em formato mensalizado. Embora o próprio nome da Rais a descreva como uma anotação anual, o resultado passa a ter divulgação mensal a partir de agora.
O incremento de 1,001 milhão de postos de trabalho no setor público representa um aumento de 7,81% no período analisado, fazendo o estoque total chegar a 13,82 milhões em fevereiro deste ano. Do total de novos postos, a maior parte — 886,9 mil — corresponde a contratações a prazo determinado, o que fez os empregos retornarem a um patamar semelhante ao verificado em outubro e novembro do ano passado. Entre os trabalhadores celetistas, excluindo-se trabalho temporário e empregos domésticos, houve ampliação de 0,81% no estoque de postos de trabalho.
O volume total passou de 47,59 milhões ao fim de 2025 para 47,97 milhões em fevereiro passado, com as variações absolutas mais representativas concentradas em contratos de prazo indeterminado. No que diz respeito à jornada de trabalho, os dados da Rais revelam que, do total de trabalhadores celetistas em fevereiro, considerando os setores público e privado:
• 37,11 milhões cumpriam jornada semanal acima de 41 horas, representando a maior parcela dos vínculos formais ativos no país.
• 9,24 milhões trabalhavam entre 31 e 40 horas por semana, configurando o segundo maior grupo entre os celetistas.
• 2,16 milhões tinham jornada semanal variando de 21 a 30 horas, refletindo uma parcela menor do mercado formal.
• 1,81 milhão cumpria jornada de até 20 horas semanais, o menor contingente entre os grupos analisados.
Sobre a remuneração média, a Rais aponta crescimento de 3,8% entre fevereiro de 2025 e dezembro de 2025, com o valor absoluto passando de R$ 4.208,58 para R$ 4.369,02. O MTE, no entanto, não divulgou a variação de dezembro de 2025 para fevereiro deste ano, justificando a omissão por uma ausência relevante de informações por parte dos informantes desse dado. Habitualmente, a remuneração média apresenta um pico de crescimento em janeiro. Em janeiro de 2025, por exemplo, o valor registrado foi de R$ 4.415,09, superior ao verificado no fim daquele ano.
O ministério acredita que esse comportamento tenha relação com o encerramento, ao fim de cada ano, dos contratos de prazo determinado — que costumam ter salários de menor valor —, o que eleva a média no início do ano seguinte. Com a nova metodologia de divulgação mensalizada da Rais, o mercado de trabalho formal brasileiro passa a ser monitorado com maior frequência, oferecendo um panorama mais atualizado sobre os vínculos empregatícios nos setores público e privado.