Putin diz considerar acordo após carta de Zelensky

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Presidente russo afirma estar aberto a negociações após Zelensky propor cessar-fogo e encontro em país neutro
Após o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky divulgar uma carta aberta na quinta-feira (4/6) propondo um cessar-fogo e o fim da guerra, o presidente russo Vladimir Putin respondeu afirmando estar aberto a um acordo. Putin declarou que a Rússia está disposta a negociar sobre a Ucrânia, em linha com os entendimentos alcançados em sua cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Anchorage, no Alasca, e que Kiev precisa aceitar esses termos para que o conflito chegue ao fim.
O líder russo afirmou que "a Ucrânia sabe bem" sobre a exigência russa de retirar suas tropas da região do Donbass como condição para iniciar negociações de paz. Putin destacou que a Rússia está disposta a fazer concessões, mas acrescentou que agora cabe aos EUA convencer Kiev a fazer o mesmo. Segundo ele, se Zelensky aceitar esses termos, "o conflito chegará rapidamente ao seu fim natural". Trump também se manifestou na quinta-feira, dizendo que seria "ótimo" para Zelensky se encontrar com Putin, mas ponderando que ambos os lados precisam ceder.
"Fico feliz que estejam talvez falando em se encontrar. Acho que tivemos muito a ver com isso", afirmou o líder americano ao falar a repórteres no Salão Oval da Casa Branca. "Acho que seria ótimo se eles se encontrassem. Eles deveriam – que isso aconteça."
Na carta — a primeira que o líder ucraniano escreveu publicamente e de forma direta a Putin desde que a Rússia iniciou sua invasão em larga escala em 2022 — Zelensky propôs um encontro pessoal com o presidente russo, que não seria realizado nem em Moscou nem em Kiev, mas em um país neutro como a Suíça ou um país árabe. Ele também sugeriu um cessar-fogo e uma troca de prisioneiros, começando pelos civis e pelas crianças sequestradas pela Rússia.
No trecho final da carta, Zelensky faz uma crítica contundente aos 26 anos de Putin no poder. O presidente ucraniano alertou que, se Putin não encerrar a guerra, terá de lutar por sua própria sobrevivência, já que a história mostra que, quando a Rússia se cansa, mudanças ocorrem. "A Ucrânia tem seus recursos, e podemos fazer com que esse cansaço aconteça", disse.
"Você pode acabar lutando não pela existência da Rússia, mas por sua própria existência", acrescentou. Atualmente, Putin enfrenta dificuldades econômicas e queda de popularidade entre os eleitores russos, agravadas pelos constantes blecautes na internet no país. Analistas avaliam que o momento é propício para o diálogo. "Nenhum dos lados está em condições de vencer, e ambos enfrentam problemas crescentes. Putin sabe que os recursos financeiros estão esgotados", afirma o jornal italiano La Repubblica.
"A máquina de guerra consome todos os fundos e absorve a mão de obra, deixando outros setores da economia com escassez de trabalhadores. Em breve, ele terá de decidir se corta benefícios sociais e aumenta impostos – decisões que corroeriam ainda mais o apoio público e aprofundariam o descontentamento entre os oligarcas", acrescenta o diário, observando que a "situação na Ucrânia não é melhor". O cenário atual aponta para um momento de pressão sobre ambos os lados do conflito, com a carta de Zelensky e a resposta de Putin sinalizando uma possível abertura diplomática, ainda que cercada de condições e incertezas.