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O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso do PMMA, o polimetilmetacrilato, para fins reparadores ou estéticos. A medida entrou em vigor na última terça-feira (2) e atinge uma prática comum em procedimentos de aumento de volume corporal, especialmente em glúteos e rosto. O PMMA é um plástico em forma de gel que, ao contrário de outras substâncias utilizadas em procedimentos estéticos, não é absorvido pelo organismo — ou seja, é permanente.
Uma vez injetado, o material se adere a músculos e ossos, o que torna sua remoção extremamente complexa, exigindo longas cirurgias em casos de complicações. "É difícil porque ele é injetado em forma gelatinosa e fica entremeado em tecidos saudáveis que não podem ser retirados na maioria das vezes. Então, essa é a dificuldade técnica: a necessidade de retirar tecidos saudáveis para poder retirar os tecidos comprometidos e o material", explica Graziela Bonin, conselheira federal do CFM. A decisão do CFM foi tomada após mais uma tragédia envolvendo o uso da substância.
Na semana passada, a maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira, de 48 anos, morreu em São Paulo no dia seguinte a uma aplicação de PMMA nos glúteos e na coxa. O caso reacendeu o debate sobre os riscos do procedimento e a necessidade de uma regulamentação mais rígida. Outra vítima indireta do PMMA é a fisioterapeuta Cláudia Nunes, que ainda carrega o luto pela morte do noivo, ocorrida há quatro anos. Ele havia feito um preenchimento com PMMA na região do quadril após sofrer um acidente de moto. "Ele é um plástico. Quando você coloca ele dentro de você, já era.
Você pode tirar, mas você não consegue eliminar ele de vez. São várias cirurgias, são cicatrizes, é dor, é coceira, várias patologias que se arrastam junto. E eu não quero que pessoas passem o que eu passei, o sofrimento, porque não vale a pena. O sofrimento é muito pesado", diz a fisioterapeuta Cláudia Nunes. A proibição estabelecida pelo CFM prevê uma única exceção: o tratamento de pacientes com HIV.
Nesses casos, o PMMA pode ser utilizado para reparar a perda de gordura no rosto ou no corpo causada pelos medicamentos, mas somente em postos de saúde, UPAs e hospitais credenciados pelo SUS. O CFM informou que, a partir da terça-feira (2), o médico que utilizar ou divulgar o uso do PMMA para fins estéticos estará cometendo uma infração ética. Apesar da proibição imposta pelo CFM, a Anvisa ainda mantém dois produtos feitos com PMMA registrados para uso médico. A agência reforçou que não há indicação para o uso meramente estético da substância.
Mesmo assim, o Conselho Federal de Medicina anunciou que voltará a solicitar à Anvisa o banimento do PMMA. "O Conselho Federal de Medicina vai procurar amanhã a Anvisa, levar a resolução e pedir providências da Anvisa para que se consiga banir esse produto, principalmente para pessoas leigas fazerem uso desse produto", afirma José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM. A proibição representa um marco regulatório importante no campo da medicina estética no Brasil, diante dos riscos comprovados associados ao uso do PMMA e das tragédias que motivaram a decisão do conselho.