PMI de serviços do Brasil cai em maio

© Tânia Rêgo/Agencia Brasil
Índice PMI de serviços recuou para 50,4 em maio, pressionado pela inflação elevada e pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os custos
O setor de serviços do Brasil registrou quase estagnação em maio, pressionado pela ausência de novos pedidos e pelo forte aumento dos preços cobrados pelas empresas. Segundo a pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgada nesta quarta-feira, os impactos da guerra no Oriente Médio contribuíram para reduzir uma demanda já fragilizada. O PMI de serviços, compilado pela S&P Global, recuou para 50,4 em maio, ante 52,3 em abril, aproximando-se da marca de 50 pontos que indica estagnação da atividade.
O resultado acendeu um sinal de alerta sobre a resistência do setor, que historicamente tem servido como contrapeso à fraqueza da indústria. "Os dados do PMI de maio soam como um alerta, já que o papel do setor de serviços como amortecedor da fraqueza da indústria parece estar perdendo força. Muitos esperam que essa desaceleração seja temporária e que uma recuperação no próximo mês possa sustentar os resultados do segundo trimestre", disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.
Várias empresas relataram queda da produção em decorrência de pressões competitivas, dificuldades financeiras e um ambiente cada vez mais desafiador para a demanda. Os novos pedidos feitos aos fornecedores de serviços ficaram, de modo geral, estagnados em maio, com o índice correspondente ficando ligeiramente abaixo do nível neutro de 50,0. Entre os segmentos monitorados, o de transporte, informação e comunicação foi o único a registrar aumento na produção, além de apresentar o melhor desempenho em termos de vendas.
Ainda assim, o crescimento desse segmento recuou para o menor nível em cinco meses. A estagnação das vendas em maio coincidiu com um forte aumento nos preços cobrados pela prestação de serviços. Apesar de ter recuado em relação a abril, o ritmo de inflação foi o segundo mais alto em 15 meses, com os participantes da pesquisa citando o repasse do aumento de custos aos clientes.
Os preços dos insumos subiram no ritmo mais forte desde fevereiro de 2025, com as empresas indicando que a guerra no Oriente Médio elevou os custos de combustíveis e materiais, além de itens como materiais de construção, produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens. "Fissuras estão surgindo na economia de serviços do Brasil, à medida que empresas e consumidores enfrentam a inflação", disse De Lima.
"Orçamentos apertados levaram os consumidores a cortar gastos não essenciais, impactando setores como entretenimento, hotelaria e lazer". O aumento dos custos e a fragilidade da demanda também prejudicaram os esforços de contratação em maio, que ocorreram no ritmo mais lento dentro do atual período de quatro meses de geração de vagas. As pressões de preços, aliadas à forte concorrência e às difíceis condições operacionais, reduziram a confiança empresarial, com queda no nível de otimismo em relação à perspectiva de produção para o próximo ano.
Com o enfraquecimento do setor de serviços somado à contração já registrada no setor industrial, o PMI Composto do Brasil voltou ao território de contração, caindo para 49,5 em maio, ante 52,4 em abril. O resultado reforça o cenário de desaceleração econômica no país e levanta dúvidas sobre o desempenho da atividade no segundo trimestre.