PicPay é alvo de operação por descontos irregulares em folha de servidores

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
O TCDF já havia determinado a suspensão dos descontos irregulares do PicPay na folha de servidores do DF em fevereiro deste ano
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) já havia determinado, em fevereiro deste ano, a suspensão dos descontos irregulares realizados pelo PicPay na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal. O banco digital tornou-se alvo da Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na manhã desta sexta-feira (19/6), para investigar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do DF. O PicPay é investigado por descontos realizados diretamente nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) por meio de um serviço de antecipação salarial.
O caso foi revelado pela coluna Grande Angular. Segundo inspeção do TCDF, o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos contracheques de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Os valores seriam referentes ao serviço de antecipação salarial ofertado ao funcionalismo público a partir de um contrato firmado com a Secretaria de Economia do DF em setembro de 2024. O TCDF identificou um "crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto" diretamente na folha de pagamento: a amortização do serviço contratado com o banco digital. Em 2024, os descontos somaram R$ 11,7 milhões. Já entre janeiro e agosto de 2025, o valor chegou a R$ 70 milhões. Conforme relatório da Corte de Contas, o PicPay é o único habilitado, desde 2024, para realizar desconto compulsório na folha de pagamento do GDF, sendo a operação executada pela BRB Serviços S.A., subsidiária do Banco de Brasília (BRB).
A Operação Juros Zero, conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), tem como alvos: - O PicPay, o Banco de Brasília (BRB) e a BRB Serviços S.A., investigados por sua participação no suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento dos servidores do DF - A Secretaria de Economia do Distrito Federal e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), além de associações ligadas ao caso - Atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas, entre eles Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que foi preso
Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP), onde está localizada a sede do PicPay. Em fevereiro deste ano, o TCDF já havia determinado a suspensão de novos descontos debitados diretamente em folha e vinculados ao banco digital, após identificar irregularidades envolvendo a aplicação de uma taxa sobre a antecipação salarial. As investigações agora em curso apuram a existência de um suposto esquema de irregularidades envolvendo operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal.