Petrobras inicia venda de combustível de aviação feito com soja

petrobrás
A Petrobras concluiu a produção e venda do primeiro lote mundial de combustível sustentável de aviação com soja certificada de baixo risco ambiental
A Petrobras concluiu a produção e a venda do primeiro lote de combustível sustentável de aviação fabricado com óleo de soja certificado, com o objetivo de comprovar critérios de sustentabilidade e menor risco de impacto sobre novas áreas. O produto foi manufaturado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, com óleo fornecido pela Bunge, e comercializado com a Vibra para distribuição ao mercado de aviação. O lote totaliza 3,8 mil metros cúbicos e foi produzido por meio de coprocessamento, técnica que permite combinar matéria-prima renovável à estrutura tradicional de refino.
O combustível conta com 1% de conteúdo renovável em sua composição, percentual que, segundo a Petrobras, está alinhado às obrigações previstas na Lei Combustível do Futuro para os primeiros anos de redução de emissões da aviação doméstica. De acordo com a Petrobras, este é o primeiro combustível sustentável de aviação de soja do mundo com certificação internacional de baixo risco de mudança indireta do uso da terra.
A certificação garante que a matéria-prima não é proveniente de desmatamento e tampouco incentiva indiretamente esse processo. A Bunge informou, em nota, que foi responsável pela originação e certificação da soja e pela produção do óleo vegetal em sua unidade de esmagamento de Rondonópolis (MT). Já a Vibra, por meio da BR Aviation, ficará encarregada da distribuição e comercialização do combustível para o setor aéreo. As empresas afirmam que o produto tem potencial de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 70% em comparação com o querosene de aviação tradicional, conforme metodologia de análise de ciclo de vida.
A iniciativa ocorre antes do início do mandato compulsório de combustível sustentável de aviação, previsto para 2027. "Os dados oficiais de lavouras brasileiras publicados pela Conab demonstram que o ganho de produtividade da soja ao longo da última década foi maior que 20%, fruto de um extenso trabalho de desenvolvimento das melhores práticas no campo", afirmou a diretora de Soluções Para Combustíveis Renováveis da Bunge na América do Sul, Christini Kubo. "Agora, por meio desta iniciativa inédita, a Bunge é pioneira em comprovar e certificar essa realidade, cumprindo os mais rígidos padrões internacionais de sustentabilidade para a soja", acrescentou.
A diretora de logística, comercialização e mercados da Petrobras, Angélica Laureano, destacou que a venda do lote demonstra o compromisso da companhia com a sustentabilidade e a transição energética. "Mais que isso, também reflete nosso firme propósito de incentivar a cadeia produtiva de nossos fornecedores a adotar práticas sustentáveis verificáveis", disse.
A Vibra informou que abastece seis em cada dez voos no país e tem papel estratégico no desenvolvimento desse mercado. "Este projeto reforça nosso compromisso em fornecer as ferramentas necessárias para a transição energética no setor aéreo, impulsionando o desenvolvimento de uma cadeia nacional sustentável e preparando o mercado para o futuro do combustível sustentável de aviação no País", afirmou o vice-presidente de Operações da Vibra, Daniel Drumond. A iniciativa marca um avanço no setor de aviação sustentável no Brasil, reunindo três grandes empresas em torno de um produto que pode contribuir para a redução das emissões do transporte aéreo nacional antes mesmo da entrada em vigor das obrigações legais previstas para 2027.