Nunes Marques "deve ter fundamentos" para barrar pesquisa, diz presidente do PT

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Presidente do PT evita criticar suspensão de pesquisa eleitoral por Nunes Marques e diz respeitar decisão do TSE
O presidente do PT, Edinho Silva, evitou criticar a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, que suspendeu uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel/Bloomberg realizada em maio deste ano. A decisão monocrática estava na pauta do TSE nesta terça-feira, 9, para que os demais ministros a referendassem ou derrubassem. Edinho Silva não defendeu expressamente a medida, mas afirmou que Nunes Marques "deve ter fundamentos" para a suspensão.
O presidente do PT declarou que o partido respeita as decisões do Judiciário e que confia na condução do processo eleitoral pelo presidente do TSE. "Se ele tomou essa decisão, ele deve ter fundamentos. Nós respeitamos. Decisão do Judiciário não se debate, se respeita. Temos muito respeito pelo ministro Nunes Marques. Temos certeza de que ele vai conduzir o processo eleitoral da melhor forma possível.
Vamos sempre acatar aquilo que o TSE decidir e o que o presidente do TSE expressar em suas decisões", declarou Edinho Silva. Especialistas ouvidos pelo Estadão criticaram a decisão de Nunes Marques e falaram em censura, posicionamento que contrasta com a postura adotada pelo presidente do PT.
Edinho concedeu a entrevista a jornalistas antes de um seminário promovido pelo PT sobre uma proposta de reforma do Judiciário. Segundo ele, o evento representa uma oportunidade de "iniciar o debate" sobre propostas de reforma a partir dos "interesses da sociedade" e do "fortalecimento do Judiciário". O presidente do PT afirmou que uma proposta de reforma do Judiciário não necessariamente será incluída no programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas será defendida pelo partido.
O ex-prefeito de Araraquara disse que o programa de governo de Lula "é maior que o do PT", mas que o assunto pode entrar no documento "se houver consenso entre outros partidos". Edinho também afirmou que não vê como "prioridade" a definição de mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim a ampliação da representatividade e dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No mesmo evento, Edinho Silva deixou claro que as alianças regionais do PT terão como prioridade a reeleição do presidente Lula. Na prática, isso significa que os interesses da reeleição do presidente poderão se sobrepor aos dos diretórios regionais do partido. "A prioridade é a reeleição do presidente Lula. E a partir dessa prioridade é que vamos construir as alianças nos Estados", afirmou o presidente do PT, ao falar sobre as negociações em Goiás e em Minas Gerais, onde os diretórios regionais aprovaram resoluções para lançarem candidatos próprios.
Sobre Minas Gerais, Edinho declarou: "O PT em Minas aprovou uma resolução de que seria uma candidatura própria. É correto, o partido tem que defender suas lideranças. Mas temos dialogado com os partidos aliados também. Temos de pensar que as alianças são construídas nos Estados, mas também temos a aliança nacional. Temos de entender que a prioridade é a reeleição do presidente Lula. E a partir dessa prioridade é que vamos construir as alianças nos Estados". Em relação a Goiás, o presidente do PT completou: "O PT em Goiás aprovou ontem uma posição de pré-candidatura.
O partido precisa ter nomes para debater com os aliados. Mas, como disse, as alianças nos Estados serão construídas a partir da necessidade de nós ampliarmos as alianças para a reeleição do presidente Lula". No caso de Minas Gerais, Edinho revelou que o partido está "acelerando" as conversas com políticos aliados, entre eles o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), integrantes do PSB e o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB). Assim, enquanto o TSE deliberava sobre a decisão de Nunes Marques a respeito da pesquisa eleitoral suspensa, o PT sinalizava tanto cautela em relação ao Judiciário quanto uma estratégia clara de centralizar as alianças eleitorais em torno da reeleição de Lula.