Netanyahu minimiza atrito com Trump e afirma que objetivo de desarmar Hezbollah é comum

Netanyahu. Fonte: World Economic Forum via Flickr.
Premiê israelense afirma que ele e Trump compartilham o objetivo de desarmar o Hezbollah e desmilitarizar o Líbano
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, minimizou nesta quarta-feira (3) a disputa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que ambos compartilham o objetivo de desarmar o Hezbollah e desmilitarizar o Líbano.
A declaração foi feita em entrevista ao canal americano CNBC, em Jerusalém, após Trump confirmar publicamente que repreendeu o aliado israelense durante uma ligação telefônica.
Trump havia revelado ao jornal New York Post que ficou "um pouco aborrecido" com Netanyahu por "ficar constantemente brigando com o Líbano".
O presidente americano confirmou ter usado linguagem direta durante o telefonema de segunda-feira, respondendo "sim" quando questionado se teria dito ao premiê israelense: "Você está louco para caralho? O que diabos você está fazendo? Eu ajudei você a ficar fora da prisão".
Diante das declarações de Trump, Netanyahu optou por não detalhar o conteúdo da conversa e buscou reafirmar a solidez da relação entre os dois líderes.
"Se quisermos salvar o Líbano, se quisermos alcançar a paz entre o Líbano e Israel, como eu quero, devemos desarmar o Hezbollah e desmilitarizar o Líbano", declarou o premiê.
"É um objetivo que o presidente e eu compartilhamos, e é o que devemos fazer", acrescentou.
O primeiro-ministro israelense reconheceu a existência de divergências, mas as classificou como táticas e passageiras.
"Concordamos em muitas coisas", observou Netanyahu.
"Há divergências táticas; sempre encontramos uma forma de resolvê-las, e fazemos isso como grandes amigos: podemos discordar de manhã e, à tarde, empreender uma ação conjunta", disse.
Ao ser questionado diretamente se sua relação com Trump havia mudado, Netanyahu foi categórico: "Não".
O premiê reforçou que o relacionamento entre os dois se mantém sólido e baseado no respeito mútuo.
"Ele me respeita, eu o respeito, sempre encontramos uma forma de resolver nossas diferenças", afirmou, classificando o republicano como "o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca".
Do lado americano, Trump também reafirmou ter um "relacionamento muito bom" com o primeiro-ministro israelense, apesar da troca de palavras durante o telefonema.
A declaração de "Eu disse: Bibi, temos que parar com isso", utilizando o apelido de Netanyahu, evidenciou o tom direto adotado pelo presidente americano na conversa.