
Foto: Agência Brasil
Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré acusada de participação na morte do filho em 2021, começou a ser interrogada por volta das 10h30 desta terça-feira (2), no 9º dia do júri do caso. Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, acusado de agredir a criança, foi retirado do plenário no início do interrogatório da ex-namorada. A retirada de Jairinho do plenário foi determinada pela 7ª Câmara Criminal do Rio, que decidiu que ele só poderá ser interrogado após Monique Medeiros.
O pedido foi feito pelos advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, que argumentaram que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime sozinho e, por isso, o depoimento dela antes do dele é essencial para que a defesa possa conhecer integralmente as acusações e se manifestar de forma adequada. Antes do início do julgamento, o advogado de Monique Medeiros, Hugo Novais, afirmou que ela não deixará de responder a nenhuma pergunta.
"Monique vai responder a tudo que for perguntado, evidentemente que de maneira estratégica". Segundo o advogado, Monique foi levada a júri por machismo e misoginia. "Por uma visão distorcida, por uma ótica de misoginia, de machismo, se atribuiu uma responsabilidade penal a uma mulher, pautado único, exclusivamente, num comportamento que se deveria ter, mas que não foi correspondido, dizendo que uma mãe foi ao salão depois do enterro do filho", ressaltou Novais.
Após os interrogatórios dos réus, terão início os debates entre acusação e defesa. Nessa etapa, o Ministério Público e os assistentes de acusação terão entre 2h30 e 3h para apresentar suas teses aos jurados. As defesas contarão com o mesmo período para sustentar seus argumentos e, como há dois réus, Jairinho e Monique Medeiros, os advogados precisarão dividir esse tempo entre as duas bancas. Após as sustentações iniciais, a acusação poderá fazer uma réplica de até 2h, seguida pela tréplica das defesas, também de até duas horas, sendo 1h para cada réu.
Somadas todas as manifestações, a fase de debates pode ultrapassar dez horas e se estender por grande parte de um dia de julgamento. Ao fim dos debates, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão quesitos sobre materialidade e autoria dos crimes, formulados de forma distinta para cada um dos réus. A decisão será tomada por maioria de votos e, ao final da votação, a juíza Elizabeth Machado Louro chamará todas as partes para proferir a sentença e estabelecer a dosimetria das penas.
Até a segunda-feira (1), 22 testemunhas foram ouvidas no julgamento: 13 pela acusação e 9 pelas duas defesas. Durante o processo, cinco testemunhas foram dispensadas pelos advogados de Monique Medeiros e Jairinho. Desde o início da sessão, em 25 de maio, testemunhas de acusação, peritos, policiais, profissionais de saúde, ex-companheiras de Jairinho e pessoas que conviveram com o casal apresentaram versões e informações que ajudam a reconstruir os últimos meses de vida da criança.
As testemunhas ouvidas pelo Ministério Público e pela assistência de acusação foram: Edson Henrique Damasceno, Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, Rafael Bernardon Ribeiro, Maria Cristina de Souza Azevedo, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, Natasha de Oliveira Machado, Debora Mello Saraiva, Leila Rosângela de Souza Mattos, Tereza Cristina dos Santos, Paloma dos Santos Meireles, Luiz Carlos Leal Prestes, Luiz Airton Saavedra e Leniel Borel, pai de Henry, cujo depoimento durou quase 10 horas.
Pela defesa de Monique Medeiros, foram ouvidos Bryan Medeiros, Ari Mamede, Márcia Eduarda Andrade Oliveira e Thayna de Oliveira Ferreira, a babá. Já pela defesa de Jairinho, depuseram Jairo Souza Santos, Fernanda Abidu Figueiredo, Miriam Santos Rabelo Costa, Leonardo Huber Tauil e Jefferson Evangelista Corrêa. O julgamento segue em andamento com o interrogatório de Monique Medeiros, peça central para a continuidade do processo e para a definição dos próximos passos do júri.