Ministro diz que Brasil negocia semanalmente com os EUA sobre taxas

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Ministro Márcio Rosa confirma negociações técnicas semanais com autoridades dos EUA sobre tarifas e investigação comercial contra o Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém reuniões semanais com autoridades norte-americanas para discutir a proposta de tarifas comerciais adicionais aos produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, confirmou as negociações nesta quarta-feira, destacando que o Brasil tem apresentado argumentos técnicos contra as medidas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", do CanalGov, Márcio Rosa esclareceu que a audiência do USTR marcada para o dia 6 de julho — da qual o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro anunciou participação — é destinada ao setor privado e à sociedade civil.
Segundo o ministro, a atuação das autoridades governamentais brasileiras ocorre em um canal distinto, no âmbito bilateral. "No âmbito da investigação que os Estados Unidos conduzem, e eu participo da negociação, a gente tem feito reuniões semanais, técnicas, mostrando por que não pode ter a tarifa, por que não é justa a tarifa, por que está equivocada a conclusão", afirmou Márcio Rosa.
O ministro também lamentou o que classificou como atitude de brasileiros que vão aos EUA pedir que os norte-americanos prejudiquem o país. "Óbvio que o governo dos Estados Unidos pensa nos Estados Unidos. Eles pensam, infelizmente, nos americanos, não pensam nos brasileiros", declarou o ministro. Um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar sua inscrição para participar da audiência do USTR em 6 de julho, Márcio Rosa foi questionado sobre a presença de representantes do governo brasileiro no evento.
O ministro foi categórico ao afirmar que esse não é o canal adequado para a interlocução entre as autoridades dos dois países. "Nessa fase participam a sociedade civil, o setor privado. O governo brasileiro participa de reuniões semanais, como eu mencionei, e também tem consulta, que é reunião fechada, feita pelo governo. Autoridade do governo participa de reuniões bilaterais, das audiências participa a sociedade civil", explicou Márcio Rosa.
O contexto das negociações se intensificou após Flávio Bolsonaro visitar o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Washington, no mês passado. Na sequência, o governo norte-americano anunciou a designação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, abrindo caminho para a imposição de sanções.
Paralelamente, o USTR anunciou a proposta de tarifas comerciais adicionais aos produtos brasileiros. Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido a classificação de terrorista ao CV e ao PCC diretamente a Trump, mas disse ter solicitado ao presidente norte-americano que não impusesse tarifas ao Brasil. Por outro lado, Lula — que disputará a reeleição em outubro — e seus aliados têm buscado atribuir a Flávio a responsabilidade pelas tarifas anunciadas pelos EUA. As negociações seguem em curso, com o governo brasileiro mantendo sua estratégia de diálogo técnico e bilateral para reverter as medidas propostas por Washington.