
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende entrar em contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender uma abordagem de cooperação no combate ao crime organizado. O objetivo é evitar medidas que possam prejudicar o sistema financeiro brasileiro, além de impedir novos aumentos de tarifas sobre produtos nacionais exportados para os Estados Unidos. Ainda não há data definida para essa conversa entre os dois líderes.
A iniciativa de Lula surge em meio às repercussões da decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que pode gerar impactos diretos na economia brasileira. O efeito mais imediato dessa classificação pode ser sentido no sistema financeiro nacional. Empresas que investem ou transferem recursos em setores com possível infiltração dessas organizações criminosas correm o risco de sofrer sanções.
O temor do governo brasileiro é que a medida afaste investimentos americanos do país. No campo político, Lula deve continuar defendendo a soberania nacional, associando qualquer medida prejudicial à economia brasileira à atuação de Flávio Bolsonaro. Essa estratégia segue a mesma linha adotada durante o período do tarifaço contra importações de produtos brasileiros.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a avaliação de sua equipe é que a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas coloca o senador em posição ofensiva, permitindo que ele insista na narrativa de que Lula defende as duas organizações criminosas. No entanto, Flávio Bolsonaro sabe que continuará sendo pressionado, tanto dentro quanto fora de sua campanha, sobre sua relação próxima com Daniel Vorcaro.
"Ganhamos tempo, mas não podemos ter nenhuma nova surpresa e explicar de forma crível sobre como o filme Dark Horse foi financiado", afirma um interlocutor do filho do ex-presidente Bolsonaro. A situação evidencia um cenário de tensão política e econômica entre Brasil e Estados Unidos, com Lula buscando um canal direto de diálogo com Trump para minimizar os impactos das decisões americanas sobre a economia nacional.