Lula no G7 diz que mundo não quer guerra fria entre EUA e China

Presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula defende independência nas relações internacionais e critica o formato das reuniões do G7 durante discurso após o encontro do bloco.
Durante discurso após a reunião do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o mundo não precisa de uma nova guerra fria entre Estados Unidos e China. Em sua fala, ele resgatou o histórico do embate entre EUA e União Soviética antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, argumentando que aquelas tensões geopolíticas limitaram o mundo a "depender apenas de duas posições".
"Quando vamos discutir a questão do desequilíbrio da política mundial, voltamos a um debate que há 10 anos está na moda: a China e os Estados Unidos. Não queremos uma guerra fria entre China e EUA, porque sabemos o resultado de uma guerra fria entre EUA e União Soviética, que durante tantos anos limitou o mundo a depender apenas de duas posições. Nós defendemos que os EUA sejam os EUA, a China seja a China e nós sejamos nós, e que quanto mais negociações nós fizermos, melhor para todo mundo", afirmou Lula.
O presidente também fez críticas ao formato das reuniões do G7, descrevendo o que chamou de "G7+". Segundo ele, as discussões têm se transformado em um "samba de uma nota só", pois quando os países convidados chegam, o bloco já aprovou seus documentos. "O que a gente nota nesse debate? Está ficando quase que um samba de uma nota só. Porque, quando os convidados chegam na reunião, o G7 já aprovou seu documento e eles querem que os países convidados, que tratam como G7+, com os convidados, nós concordamos em 3 documentos e não concordamos em outro documento", destacou.
Lula também comentou sobre as tensões comerciais entre as grandes potências e o posicionamento do Brasil diante desse cenário. "Os EUA continua dizendo que é o país mais importante do mundo, que é o celeiro da economia mundial, que todo mundo depende dos EUA, aquilo que vocês sabem que o Trump fala toda reunião, por outro lado a União Europeia se queixa da China, diz que a China está ocupando o mercado europeu com seus produtos, que vende barato, que é difícil competir e que é desigual. Do nosso lado, é engraçado, porque nós não queremos entrar na briga dos dois. Para nós a China é importante, não tenho queixa da China. O que tenho que dizer é que a balança comercial é de US$ 165 bilhões, com superávit para o Brasil e que a relação com os EUA, no ano passado, foi de US$ 80 bilhões, com déficit de US$ 10 bilhões para o Brasil", continuou o presidente.
Por fim, Lula defendeu que os países desenvolvidos direcionem investimentos para a África e a América Latina, em vez de concentrar recursos em guerras e armamentos. Ele argumentou que a ausência de investimentos europeus e americanos nessas regiões abriu espaço para a expansão da China. "Durante muito tempo, depois da queda do Muro de Berlim, a Europa se voltou para o leste europeu. Eles queriam ganhar aquele mercado que teoricamente estava subordinado à União Soviética, o que era normal. E esqueceram de fazer investimento na América Latina e na África. O que aconteceu é que a China entrou. Eu disse a Trump que há anos o Brasil faz licitações internacionais e os americanos e europeus não entram. A China é que leva", concluiu Lula.