Em BH, Lula ignora operação da PF contra Jaques Wagner

Foto: Palácio do Planalto
Em evento em Belo Horizonte, Lula não mencionou a operação da PF contra seu líder no Senado, Jaques Wagner, alvo de acusações de propina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ignorou, em discurso realizado nesta sexta-feira, 19, em Belo Horizonte, a operação da Polícia Federal deflagrada contra seu líder de governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Durante evento de anúncio de investimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) em oncologia em um hospital da capital mineira, Lula abordou temas como programas do governo, a pandemia de covid-19, violência contra a mulher e até futebol, mas não fez qualquer menção às denúncias que pesam sobre o aliado e amigo.
O Palácio do Planalto desaprovou a estratégia adotada por Wagner, que utilizou o nome do presidente como escudo para se defender das acusações. Em entrevista à BandNews, o senador afirmou que Lula não vai retirá-lo da liderança do governo no Senado, buscando demonstrar confiança total do presidente. No entanto, auxiliares de Lula avaliam que a situação do líder no cargo é cada vez mais complicada e caminha para se tornar insustentável. Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os investigadores apontam que ele teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Em troca, o senador teria atuado em favor da instituição no Congresso Nacional. A assessoria de Wagner divulgou nota negando irregularidades, sustentando que não agiu em benefício do Master e que está à disposição das autoridades.
No discurso em Belo Horizonte, Lula adotou uma linha de fala que o governo tem utilizado em peças publicitárias nas últimas semanas. "Sabemos que ainda tem muito problema no Brasil. Sabemos que 500 anos de desmazelo não se conserta em 10 ou 15 anos, mas queremos dizer que esse País nunca mais verá o povo pobre ser tratado como se fosse de terceira classe", afirmou o presidente. A estratégia discursiva serve tanto para reconhecer os pontos fracos apontados pela população quanto para esquivar a gestão federal da responsabilidade por problemas cotidianos sentidos pelos brasileiros.
Lula também dedicou parte do discurso a elogiar o Sistema Único de Saúde, destacando o papel da instituição durante a pandemia de covid-19. "O SUS, por muito tempo, foi atacado, desmoralizado. Só mostravam o SUS com gente no corredor e dormindo no chão. Como Deus é grande e escreve certo por linhas tortas, aconteceu uma desgraça neste País que foi a covid-19. Quando a covid chegou, quem estava preparado? O SUS, com seus funcionários, enfermeiros, médicos, motoristas, limpadoras", declarou o presidente.