Reunião entre Lula e Trump no G7 depende do avanço de negociações

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Reunião entre Lula e Trump na cúpula do G7 depende do avanço das negociações técnicas sobre tarifas dos EUA ao Brasil
Os presidentes Luiz Inácio Lula e Donald Trump participarão da próxima cúpula do G7, entre os dias 15 e 17 de junho, na França. Segundo fontes diplomáticas, um eventual encontro entre os dois líderes dependerá do avanço das negociações em nível técnico sobre as recomendações do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) na chamada seção 301.
Na última terça-feira, o USTR recomendou a aplicação de uma sobretaxa de 25% às exportações brasileiras, em uma investigação que abrangeu temas como comércio, Pix, política, combate à corrupção e regulação de Big Techs. O cenário coloca o Brasil em uma posição delicada diante dos Estados Unidos, e as negociações ainda estão longe de uma definição.
De acordo com uma fonte diplomática, o encontro entre Lula e Trump é possível, mas não é garantido. Tudo dependerá de como as tratativas evoluírem até lá. Caso não haja avanço concreto no nível técnico, as fontes consideram improvável que uma conversa entre os dois presidentes seja organizada no âmbito da cúpula. O setor privado brasileiro afetado pela investigação acompanha a situação com expectativa. Os exportadores de café, por exemplo, acreditam que as negociações podem resultar em um acordo favorável que evite o tarifaço. No entanto, o cenário ainda é incerto, segundo Marcos Matos, CEO do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "Acreditamos nas negociações e estamos em permanente contato com representantes do governo brasileiro", afirmou Matos.
A principal preocupação do setor recai sobre o café solúvel brasileiro, já que os demais tipos de café exportados pelo Brasil constam na lista de exceções da seção 301. Se as negociações não prosperarem, a taxa atual de 10% seria acumulada com a sobretaxa de 25%. Além disso, caso o Brasil não reverta as orientações do USTR na investigação sobre trabalho escravo, outros 12,5% seriam somados à carga tributária.
O setor conta com o apoio da NCA (National Coffee Association), principal organização da indústria cafeeira dos Estados Unidos. "Nosso foco é o consumidor americano. O café brasileiro é sustentável e competitivo. A questão inflação é essencial na negociação", explicou Matos. No início de julho, haverá uma audiência nos Estados Unidos, e os setores afetados pelas recomendações do USTR apostam em uma resolução que ainda não chegou ao nível presidencial. O objetivo central é evitar que Trump siga a recomendação do USTR e assine uma ordem executiva com um novo tarifaço contra o Brasil.