Lula diz que sua guerra com Trump é narrativa

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente brasileiro usou dados de desmatamento para rebater argumentos dos EUA ao propor tarifa de 25% sobre exportações brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença na divulgação dos dados mensais de desmatamento da Amazônia e do Cerrado, referentes ao mês de maio, em um movimento visto como resposta direta à proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Entre os argumentos usados pelo governo americano para justificar o tarifaço estava a questão ambiental no Brasil. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (11/6) pelo Ministério do Meio Ambiente, apontaram queda no desmatamento nos dois biomas em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Na Amazônia, a redução foi de 61,4%, enquanto no Cerrado o recuo foi de 12,2%. Durante o anúncio, realizado em Brasília, Lula afirmou que as informações precisam ser apresentadas ao Representante Comercial dos Estados Unidos, responsável por propor o tarifaço, para demonstrar que o governo americano estaria equivocado em suas alegações. "É hora da comparação. Eles mentiram na última vez que taxaram o Brasil dizendo que tinham déficit comercial. Provamos que eles tinham superávit. E agora, com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento", declarou o presidente. Lula também falou sobre sua relação com o presidente americano Donald Trump, descrevendo o embate entre os dois países como uma "guerra narrativa".
Segundo ele, o objetivo é "provar" que o Brasil está correto diante das acusações feitas pelos EUA. "Já falei com Trump três vezes: Não adianta mostrar que vocês têm o maior navio, os maiores tanques do mundo. Eu não quero guerra, a minha guerra é narrativa, é provar que nós estamos certos e vocês estão errados. Você foi eleito presidente dos EUA, mas não foi eleito imperador do mundo. A gente não quer briga", afirmou.
A presença de Lula em uma divulgação mensal de dados de desmatamento é considerada incomum. Tradicionalmente, o governo concede maior destaque aos índices anuais, divulgados em outubro, e não costuma mobilizar o chefe do Executivo para anúncios mensais dos biomas. O presidente deve tentar um novo encontro com Donald Trump entre terça (16) e quarta-feira (17/6), quando ambos estarão na França para a Cúpula do G7. Auxiliares de Lula consideram improvável que uma reunião formal ocorra, dada a dinâmica do evento, mas não descartam a possibilidade de uma conversa rápida entre os dois líderes.