Lula defende China como parceira comercial do Brasil no G7

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em Genebra, Lula afirmou discordar da posição europeia sobre a China e destacou o superávit comercial de US$ 165 bilhões com o país asiático
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira, 17, em Genebra, na Suíça, que discorda do posicionamento da União Europeia em relação à China, tema debatido na Cúpula do G7. Enquanto os europeus reclamam de uma competição desigual com os chineses, Lula declarou não querer "entrar na briga" e classificou o país asiático como um "parceiro privilegiado" do Brasil.
"Nós não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Eu não tenho nenhuma queixa da China. A balança comercial com o Brasil é de US$ 165 bilhões com superávit para o Brasil. A relação com os EUA, ano passado, foi de US$ 80 bilhões, com déficit de US$ 10 bilhões para o Brasil. Então, obviamente, a China passa a ser um parceiro privilegiado para o Brasil", declarou Lula em pronunciamento à imprensa.
O presidente também destacou o impacto dos investimentos chineses no setor industrial brasileiro, citando a chegada da montadora BYD ao país como um fator que estimulou concorrentes nacionais a ampliarem seus planos de expansão. Segundo Lula, após o anúncio da BYD, outras indústrias brasileiras comprometeram investimentos de R$ 190 bilhões até 2030. "Quando a China vem com a BYD fazer investimentos na Bahia, imediatamente, as indústrias brasileiras anunciaram para mim um investimento, até 2030, de R$ 190 bilhões, coisa que não faziam há muitos anos. A participação da China tem mobilizado as pessoas a participar", afirmou.
Lula avaliou ainda que, após a queda do Muro de Berlim, no final dos anos 1980, a União Europeia concentrou seus esforços na expansão para o Leste Europeu, deixando de lado a América Latina e a África, regiões que foram posteriormente priorizadas pelos chineses. O presidente acrescentou que os Estados Unidos também se esqueceram dessas regiões ao longo do tempo.
Na mesma declaração à imprensa, Lula reiterou seu apoio à participação estrangeira na exploração de terras raras e minerais críticos, com a condição de que os países detentores desses recursos possam agregar valor ao processo. "Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimentos nos nossos países, em comprar nossos produtos, e estiverem dispostos a contribuir participando da exploração, industrialização e do enriquecimento das terras raras e minerais críticos, desde que seja nos nossos países, sejam bem-vindos", disse.
Sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que, durante a cúpula, Trump manteve o discurso de que seu país é o mais relevante da economia global e que os demais dependem dos americanos. Os dois líderes não chegaram a conversar durante o encontro em Évian-les-Bains, apesar de uma expectativa inicial de que isso ocorresse. "Os Estados Unidos continuam dizendo que (são) o país mais importante do mundo, de que é o celeiro da economia mundial e que todo mundo depende dos Estados Unidos", declarou Lula.
Lula participou da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, iniciada na terça-feira, 16, onde debateu temas como o avanço da inteligência artificial e o desenvolvimento econômico de países emergentes. Ao fim do encontro, os países do G7 emitiram oito declarações conjuntas, mas o Brasil endossou apenas três delas, referentes à segurança no espaço digital, ao combate ao câncer e ao enfrentamento do narcotráfico. Segundo Lula, a posição se deve ao fato de o Brasil ter uma "visão diferenciada" sobre os demais temas abordados.