Papa Leão critica burocratização da solidariedade e livre comércio de armas

Foto: Vatican News
Papa Leão 14 visita sede do PAM em Roma e critica obstáculos à ajuda humanitária e a facilidade de acesso a armas
O papa Leão 14 criticou, nesta segunda-feira (22), a "burocratização progressiva da solidariedade", que dificulta o envio de ajuda humanitária às populações famintas ao redor do mundo. O pontífice também condenou a livre circulação de armas que alimenta conflitos armados em diversas regiões.
Durante visita à sede do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, em Roma, Leão 14 pediu à comunidade internacional que "aumente os recursos destinados à luta contra a fome e suas causas profundas, removendo os obstáculos que impedem que a ajuda chegue a quem precisa".
O papa lamentou que as preocupações humanitárias frequentemente permaneçam em segundo plano, apesar das declarações de princípio. "É justamente na distância entre o reconhecimento de princípio e a implementação concreta que constatamos a burocratização progressiva da solidariedade, paralelamente à mercantilização silenciosa da vida humana", declarou Leão 14.
O pontífice detalhou os dois lados do problema: "Por um lado, a ação humanitária é cada vez mais sobrecarregada por procedimentos burocráticos que podem atrasar a ajuda. Por outro, o acesso a bens essenciais, especialmente à alimentação, é muitas vezes influenciado por considerações econômicas ou estratégicas". Segundo ele, o resultado é que "aqueles que não produzem valor quantificável correm o risco de se tornar invisíveis".
Leão 14, de 70 anos, denunciou ainda o contraste entre os entraves à ajuda internacional e a facilidade de acesso a armamentos. "Na realidade, é mais fácil alimentar os conflitos do que alimentar as populações", lamentou, afirmando que isso revela "um desequilíbrio fundamental nas prioridades políticas e morais".
O pontífice pediu que governos e sociedades aumentem os recursos destinados à luta contra a fome, citando o trabalho do PAM, que assistiu 121 milhões de pessoas em 2025. A organização, no entanto, enfrenta cortes orçamentários significativos na Europa e nos Estados Unidos, enquanto as necessidades crescem, especialmente em razão da guerra no Oriente Médio, que complica a logística e eleva os custos da ajuda humanitária.