Ataque iraniano com mísseis e drones atinge Kuwait

Líbano é um das frentes de batalha entre Irã e Estados Unidos - Foto : Abbas Fakih
Irã lança mísseis e drones contra o Kuwait e outros países do Golfo, matando um indiano e ferindo 63 no aeroporto internacional
A guerra no Irã atingiu um novo patamar nesta quarta-feira (3), quando Teerã lançou uma ofensiva com mísseis e drones contra o principal aeroporto do Kuwait e outros países do Golfo Pérsico. A escalada ocorreu após bombardeios realizados pelos Estados Unidos em território iraniano, ampliando o conflito e elevando a tensão na região.
O ataque com drones, realizado durante a madrugada, atingiu um terminal de passageiros do Aeroporto Internacional do Kuwait, o principal do país, matando um cidadão indiano e deixando 63 feridos. Entre as vítimas estavam "civis, funcionários do aeroporto e viajantes" com "ferimentos na cabeça, hemorragias cerebrais, amputações e ferimentos causados pelas explosões", segundo as autoridades locais, que classificaram a ação como uma "agressão iraniana". A ofensiva também causou danos à infraestrutura aeroportuária e aos escritórios de missões diplomáticas instalados no país.
Trocas de acusações entre Irã e EUA
Irã e Estados Unidos trocaram acusações de violações do frágil cessar-fogo iniciado em 8 de abril. Segundo o presidente Donald Trump, os dois lados ainda mantêm contatos para estabelecer uma paz duradoura. Washington e Teerã se acusam mutuamente pelas novas hostilidades desta quarta-feira, que resultaram no fechamento temporário do Aeroporto Internacional do Kuwait.
Sede de bases militares americanas, esta pequena nação do Golfo sofreu inúmeros ataques iranianos em retaliação à ofensiva israelense-americana de 28 de fevereiro, que desencadeou a guerra. Outra ameaça ao cessar-fogo são as operações militares em curso no Líbano, onde ataques israelenses atingiram as proximidades de Beirute e deixaram nove mortos no sul do país. A retomada dos ataques e a falta de avanços nas negociações levaram a um novo aumento nos preços do petróleo, que já estavam abalados pela guerra e seu impacto no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos.
Contra-ataque dos EUA
De acordo com o Comando do Exército dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), o Irã lançou vários mísseis durante a noite contra o Kuwait e o Bahrein. O exército iraniano reportou 13 mísseis e 17 drones. Em resposta, o Exército americano lançou "ataques defensivos" contra a ilha iraniana de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz, atingindo uma torre de comunicações, segundo Teerã.
A Guarda Revolucionária do Irã reconheceu um ataque a um navio ligado a Israel e aos Estados Unidos, além de bombardeios contra um país não especificado na região e contra a Quinta Frota dos EUA estacionada no Bahrein. Embora não tenha reivindicado a autoria do ataque ao aeroporto do Kuwait, acusou o Kuwait e o Bahrein de permitirem que os Estados Unidos lançassem ataques a partir de seus territórios e afirmou ter como alvo a base aérea de Ali Al Salem. "Cada tiro disparado e cada ato de agressão serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones", ameaçou Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo do Irã.
Impasse diplomático
A escalada ocorre em meio a um impasse diplomático. A mídia iraniana afirmou na segunda-feira que Teerã suspendeu as negociações indiretas com Washington após a ofensiva israelense no Líbano. Em resposta aos rumores, Trump negou na terça-feira que os contatos com Teerã tivessem sido suspensos e afirmou que eles continuavam "sem interrupção".
O presidente americano chegou a expressar o desejo de se encontrar com o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. "Gostaria de me reunir com ele, e provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como as coisas acontecerem", afirmou Trump em entrevista publicada nesta quarta-feira no site do New York Post. No entanto, um acordo ainda parece distante. Trump teria endurecido suas exigências, segundo relatos da imprensa, insistindo em abordar a questão do programa nuclear iraniano, que Teerã deseja adiar.
A frente libanesa
Outro ponto crucial de atrito é o cessar-fogo no Líbano, considerado por Teerã uma "condição essencial" para qualquer acordo. A Guarda Revolucionária ameaçou abrir "novas frentes" em retaliação aos ataques israelenses no país, onde o Exército de Israel avança mais profundamente do que nunca nos últimos 30 anos, com o objetivo declarado de "eliminar" o movimento pró-Irã Hezbollah.
Nesta quarta-feira, as forças israelenses bombardearam um veículo ao sul de Beirute, segundo a agência de notícias oficial NNA, e mataram nove pessoas em ataques aéreos perto da cidade de Tiro, no sul do país, informou uma fonte médica à AFP. O Exército de Israel afirmou que interceptou uma "aeronave hostil" e dois projéteis que cruzaram o território israelense a partir do Líbano.
O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel em 2 de março, em represália à morte do líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, mais de 3.465 pessoas morreram no Líbano em consequência da ofensiva israelense. Um cessar-fogo foi anunciado em 17 de abril, mas foi violado por ambos os lados.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que Israel e Líbano poderiam concluir um acordo de paz "já amanhã", não fosse o Hezbollah. A condução da frente libanesa também evidenciou as crescentes divergências entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Trump confirmou um telefonema tenso com Netanyahu, no qual proferiu uma série de insultos ao primeiro-ministro, temendo que as ameaças deste último de bombardear Beirute comprometessem as negociações com o Irã. "Você está louco para caralho", teria dito Trump a ele.
O conflito segue sem perspectiva imediata de resolução, com o Kuwait e outros países do Golfo no centro de uma guerra que se expande a cada dia, enquanto as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã permanecem travadas.