Peru: Sánchez mantém liderança, mas apuração pode durar semanas

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Com 96% das atas apuradas, Sánchez lidera por cerca de 30 mil votos, mas resultado final pode demorar semanas
O candidato de esquerda Roberto Sánchez mantinha a liderança na disputa presidencial do Peru na noite desta terça-feira (9), com uma vantagem estreita sobre Keiko Fujimori após o segundo turno realizado no domingo (7). Com mais de 17 milhões de votos contabilizados, a diferença entre os dois candidatos era de aproximadamente 30 mil votos. A disputa segue indefinida em razão da margem reduzida e da existência de votos ainda pendentes de contabilização.
Embora a apuração tenha avançado em ritmo mais acelerado do que no primeiro turno, autoridades eleitorais e analistas avaliam que a confirmação oficial do vencedor pode levar dias ou até semanas, dependendo da análise de recursos e da validação das atas eleitorais. Na noite de domingo, mais da metade dos votos já havia sido computada. Naquele momento, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori estava à frente de Sánchez, porém com margem pequena. Foi somente no início da tarde de segunda-feira (8), com mais de 90% das atas apuradas, que o aliado do ex-presidente Pedro Castillo ultrapassou a adversária e assumiu a liderança. Desde então, a contagem desacelerou de forma drástica.
No início da noite desta terça, 96,125% das atas haviam sido apuradas. Uma declaração do chefe do Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) trouxe ainda mais incerteza ao cenário. "Pode demorar entre duas semanas até o fim do mês", afirmou Bernardo Pachas à agência de notícias AFP. Segundo Pachas, para que um vencedor seja declarado, deverão ser revisadas atas impugnadas que contêm cerca de 450 mil votos, o que pode levar vários dias. Além disso, a contagem depende da velocidade com que chegam os votos das zonas rurais e do exterior, dois grupos de eleitores fundamentais para os presidenciáveis em uma disputa tão acirrada. As pesquisas de boca de urna também não oferecem clareza. O instituto Ipsos apontava Keiko Fujimori com 50,7% dos votos, contra 49,3% de Sánchez.
Já a Datum registrava 50,53% para a candidata do Força Popular e 49,47% para o candidato do Juntos pelo Peru. Por outro lado, as projeções com base nas atas apuradas nas primeiras horas de contagem mostravam Sánchez na frente: 50,3% a 49,7%, segundo a Ipsos, e 50,14% a 49,86%, nos cálculos da Datum. Todos os levantamentos apresentam diferenças dentro da margem de erro. Os votos que ainda faltam são justamente os que devem definir o resultado.
Em 2021, Keiko Fujimori conquistou 66% dos eleitores do exterior, ante 33% que optaram por Castillo. Ao todo, foram mais de 300 mil votos, um número relevante para uma eleição que deve ser decidida por décimos de ponto percentual. Já a população rural representa a base de apoio de Sánchez, que construiu sua campanha como um remake da de Castillo, figura ainda popular no interior do país, cinco anos após sua gestão. Diante do cenário incerto, ambos os candidatos adotam postura cautelosa. "Eu acredito que é muito prematuro declarar um vencedor, cabe a mim esperar", disse Keiko Fujimori nesta terça, ressaltando que ainda faltam várias atas a serem contabilizadas e que elas poderiam "reduzir a diferença" em relação ao adversário.
Já o secretário-geral do partido Juntos pelo Peru, Ernesto Zunini, afirmou que aguarda o fim da contagem e que "respeitará os resultados do processo eleitoral". Quem não se conteve foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que parabenizou Sánchez antes do resultado oficial. "O progressismo acaba de ganhar a Presidência do Peru e derrotou a força mais à extrema direita desse país, aquela representada pela família Fujimori", escreveu o líder colombiano no X.
Petro ainda acrescentou: "Restabelecerei completamente as relações diplomáticas e solicitarei ao novo presidente que iniciemos uma fusão entre o Pacto Andino e o Mercosul." Em resposta, Petro publicou um vídeo em que Keiko Fujimori pede para que ele não meta seu "nariz vermelho" no Peru. "O Peru derrotou o terrorismo, e não vamos aceitar o terrorismo exterior", diz ela na gravação, que é de fevereiro de 2023, quando Petro criticou a destituição de Castillo. O presidente colombiano rebateu: "Se você perder as eleições no Peru, não será por causa da cor da minha pele. Se você perder, será por causa do seu pai, que foi um criminoso contra a humanidade."