Keiko Fujimori tem vantagem irreversível no Peru; Sanchéz rejeita resultado

Candidata de direita Keiko Fujimori
Com 99,86% das urnas apuradas, Keiko Fujimori tem vantagem irreversível sobre Sánchez, que nega reconhecer o resultado
A candidata de direita Keiko Fujimori aparecia nesta quarta-feira (24) como a vencedora da eleição presidencial no Peru, após conquistar uma vantagem considerada irreversível sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, em uma das disputas mais acirradas da história recente da América Latina. A vitória representaria o retorno do fujimorismo ao poder, mais de duas décadas após a queda do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), pai da candidata de 51 anos.
Com 99,86% das urnas apuradas, Keiko Fujimori registrava 50,118% dos votos, contra 49,882% de Sánchez, de acordo com os dados publicados no site do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A diferença entre os dois candidatos era de pouco mais de 43 mil votos, com mais de 19 milhões de sufrágios contabilizados. A vantagem não pode mais ser revertida, pois restam apenas 39.300 votos correspondentes a 131 atas eleitorais. O segundo turno ocorreu em 7 de junho. Os resultados oficiais, no entanto, só devem ser divulgados nos próximos dias, conforme informou, na terça-feira (23), um porta-voz do Júri Nacional de Eleições (JNE).
Sánchez afirmou, em entrevista coletiva na manhã de terça-feira, que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori e denunciou que o procedimento eleitoral foi "gravemente afetado", especificamente durante a votação no exterior. O candidato anunciou que recorrerá a instâncias internacionais e convocou uma nova mobilização para sábado, em Lima.
O esquerdista pediu, na segunda-feira, a anulação dos votos emitidos no exterior, alegando supostas irregularidades administrativas e de custódia do órgão eleitoral nessa modalidade de votação, que representa quase 300 mil votos e favoreceu Keiko Fujimori de forma expressiva. Sánchez sustenta que, excluindo os votos emitidos fora do país, ele manteria uma vantagem de quase 25 mil sufrágios sobre a rival. O JNE, porém, declarou na terça-feira improcedente o pedido de nulidade dos votos dos peruanos no exterior, por ser extemporâneo e por falta de pagamento das taxas eleitorais.
O candidato à vice-presidência do partido de Keiko Fujimori, a Força Popular, Luis Galarreta, questionou a postura de Sánchez e afirmou que apenas os órgãos eleitorais têm competência para validar os resultados. Ele advertiu ainda que não reconhecer o processo poderia resultar em ações à margem da lei e comprometer a ordem democrática. A Força Popular declarou que aguardará 100% da apuração para se proclamar vencedora.
O período de contagem dos votos está dentro do padrão peruano. Vale lembrar que, no segundo turno de 2021, entre o esquerdista Pedro Castillo e Keiko Fujimori, o resultado final foi anunciado seis semanas após a votação. Naquela ocasião, Castillo obteve 50,12%, contra 49,87% de Fujimori. Uma delegação da União Europeia avaliou que o segundo turno deste ano transcorreu de maneira "tranquila e ordenada", no contexto de uma campanha marcada pela polarização.