Kaiki Bruno vai ao Como em empréstimo com obrigação de comprar de 14 mi de euros

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Cruzeiro transfere Kaiki Bruno ao Como 1907 por cerca de 14 milhões de euros em operação de empréstimo com obrigação de compra
O Cruzeiro está prestes a oficializar a transferência de Kaiki Bruno para o Como 1907, da Itália, em uma operação que poderá movimentar aproximadamente 14 milhões de euros. Ao contrário do que se esperava inicialmente, o clube mineiro emprestará o jogador num primeiro momento para, em seguida, concretizar a venda em definitivo. O lateral-esquerdo já está na Europa há alguns dias, onde realizou exames físicos e médicos enquanto aguarda a conclusão dos trâmites burocráticos para ser anunciado oficialmente. A escolha por esse modelo de negociação levanta questões sobre os riscos envolvidos para a Raposa e sobre como esse tipo de operação funciona na prática.
Nesse formato, Kaiki Bruno será registrado inicialmente como jogador emprestado ao Como 1907 por um período determinado, previsto para ser de um ano. O contrato, no entanto, inclui uma cláusula que obriga o clube italiano a efetivar a compra ao término do empréstimo, desde que as condições previamente estabelecidas sejam cumpridas — o que, neste caso, torna a aquisição praticamente uma certeza. Na prática, o Cruzeiro não corre o risco de receber o atleta de volta ao fim do vínculo. Diferentemente de um empréstimo convencional, em que o clube pode optar por devolver o jogador, a obrigação de compra transforma a operação em uma venda. Assim, o atleta de 23 anos defenderá o Como normalmente, enquanto a transferência definitiva será oficializada após o prazo estabelecido.
Para se adequar aos limites do Fair Play Financeiro (FPF) impostos tanto pela Uefa quanto pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), o Como optou pelo empréstimo com obrigação de compra. Em vez de registrar o custo integral de uma aquisição no orçamento de uma só vez, o clube dilui os gastos, contabilizando apenas a taxa de empréstimo e o salário anual do atleta durante o período. O FPF da Uefa, oficialmente chamado de Regulamento de Sustentabilidade Financeira, funciona limitando os gastos de um clube com salários, transferências e comissões a 70% de suas receitas totais.
As regras estabelecem diretrizes de solvência e controle de custos para garantir que os times não gastem mais do que arrecadam. De qualquer forma, o Como adquirirá 80% dos direitos econômicos de Kaiki Bruno, que pertencem ao Cruzeiro, por aproximadamente 14 milhões de euros, algo em torno de 82 milhões de reais. O percentual restante pertence ao próprio atleta e também será comercializado.
O mecanismo de empréstimo com obrigação de compra é amplamente utilizado por clubes europeus, especialmente em ligas que adotam controles financeiros rigorosos. Além de auxiliar no planejamento do fluxo de caixa, esse tipo de operação permite que os clubes distribuam os impactos contábeis de grandes investimentos entre diferentes exercícios financeiros, facilitando o cumprimento das regras de sustentabilidade impostas pela Uefa e pelas federações nacionais. No caso de Kaiki Bruno, a mudança de formato representa apenas uma engenharia financeira. O acordo econômico entre Cruzeiro e Como permanece o mesmo, assim como o destino do lateral-esquerdo, que seguirá em definitivo para o futebol italiano após o cumprimento da cláusula de compra obrigatória.
Apesar de a negociação ser estruturada inicialmente como um empréstimo, o modelo oferece mecanismos de proteção ao clube brasileiro e é amplamente reconhecido no mercado europeu. O contrato é elaborado para tornar a compra obrigatória, e não opcional. Isso significa que, cumpridas as condições previstas no acordo — normalmente formais ou automáticas — o Como terá de adquirir os direitos econômicos de Kaiki Bruno pelo valor previamente estabelecido. Como em qualquer transação internacional envolvendo pagamento parcelado, existe um risco jurídico ou financeiro, mas ele é considerado reduzido quando a operação é registrada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e conduzida entre clubes profissionais.
Caso o Como deixe de cumprir o contrato, o Cruzeiro pode recorrer aos mecanismos da Fifa, que possui uma Câmara de Resolução de Disputas e um sistema próprio para cobrar débitos entre clubes. Se a inadimplência for confirmada, o clube italiano pode sofrer sanções esportivas e administrativas, como proibição de registrar novos jogadores (transfer ban), multas e até perda de pontos, dependendo da instância e das regras aplicáveis. Outro fator que reduz a preocupação é a situação financeira do Como.
O clube pertence ao grupo Djarum, conglomerado da Indonésia controlado pelos irmãos Hartono, considerados entre os empresários mais ricos da Ásia no ramo de tabaco. Desde a aquisição, o Como vem realizando investimentos significativos em infraestrutura e contratações, o que reforça sua capacidade financeira. A transferência de Kaiki Bruno, portanto, segue um caminho bem estruturado. O formato de empréstimo com obrigação de compra garante proteção ao Cruzeiro, dilui os custos para o Como dentro das regras do Fair Play Financeiro e mantém o destino do lateral-esquerdo encaminhado para o futebol italiano.