Justiça decide sobre manutenção de prisão de filho que decapitou a mãe

Foto: TRT13
Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, foi morta pelo filho de 27 anos em Belo Horizonte; suspeito confessou o crime e não resistiu à prisão
A Justiça decidiu na manhã desta quarta-feira (24/6) se mantém a prisão do homem de 27 anos que decapitou a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos. O crime ocorreu na segunda-feira (22/6), entre os bairros Nova Cachoeirinha e Ermelinda, na região Noroeste de Belo Horizonte. O suspeito confessou o crime. A audiência de custódia do suspeito foi agendada para as 8h30 na Central de Audiências de Custódias da capital mineira.
Segundo o capitão Warley Dias, comandante da 2ª Cia, responsável pela área, Jussara estava desaparecida desde sexta-feira (19/6) e não compareceu a eventos familiares no fim de semana, o que levantou a suspeita dos parentes. "Foi necessário fazer o adentramento forçado ao apartamento, momento em que já foi avistado o autor, filho da vítima. Ele não esboçou atitude de resistência.
Ele confessou o crime e a faca de cozinha que teria sido usada no crime estava no local", contou o capitão. O corpo de Jussara estava em um dos quartos do apartamento, com a cabeça no mesmo cômodo. O sargento Gleidson Wellys, do 34º Batalhão, relatou o momento da abordagem ao suspeito. "Ele estava sem camisa, descalço e em silêncio. A primeira coisa que perguntei foi onde estava a mãe, e ele falou que a tinha matado e que ela estava no quarto", detalhou o militar.
Embora o suspeito tenha mencionado que o fato ocorreu entre a madrugada de domingo e segunda-feira, a perícia estima que o óbito tenha ocorrido cerca de 12 horas antes da chegada da guarnição. Ao ser detido, o jovem não ofereceu resistência. "Ele falou que já estava feito, que pensou em se jogar do prédio e que não deveria ter feito aquilo", completou o sargento, acrescentando que, no momento da abordagem, havia uma carne descongelando na pia da cozinha.
Jussara Maria Rodrigues foi velada e enterrada na terça-feira (23/6). Para quem convivia com ela, a imagem que permanece não é a do desfecho brutal que chocou a região Noroeste de Belo Horizonte, mas a de uma mulher de riso fácil, apaixonada pela música e dedicada à família. Amigos a descrevem como alguém que, mesmo reservada quanto às próprias dores, encontrava na vida cotidiana e nas pequenas celebrações o seu combustível. "A lembrança é maravilhosa. Ela era alegre, brincava muito", define uma vizinha e amiga de mais de duas décadas.
Carlos Roberto Moreira Barbosa, de 51 anos, outro amigo próximo, confirma: "Ela era muito alegre, de uma família apaixonada pela música. Quantas vezes, tomando uma cerveja, ela começava a cantar a capela". Jussara construiu ao longo dos anos uma rede de afeto pautada pela simplicidade. Trabalhadora dedicada, ela equilibrava as responsabilidades profissionais com o amor pelo lar. "Ela era muito apegada à casa, à organização", conta Carlos. O caso segue sob investigação, com a Justiça avaliando a manutenção da prisão do suspeito.